domingo, 1 de maio de 2011

Seminário Porto Maravilha no IHGB: 16 e 17 de maio 2011

Seminário Porto Maravilha
Desafios e Problemas
no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro – IHGB

Realização IHGB/Prourb-UFRJ
16 e 17 de maio, segunda e terça-feira, com responsáveis pelo projeto na Prefeitura do Rio de Janeiro, representantes da sociedade civil e pesquisadores.

1º Dia: 16 de maio de 2011
9:30h – Palestra de Abertura do Seminário: Carlos Lessa, economista e escritor
Apresentação por Arno Wehling, historiador e presidente do IHGB

14:00h - 1º mesa – O projeto Porto Maravilha e a Cidade do Rio de Janeiro
Moderador: Marcus Monteiro, pesquisador, membro do IHGB e ex-Diretor Geral do Inepac
Expositores:
- Carlos Alberto Muniz – Vice-Prefeito da Cidade do Rio de Janeiro - Marcos Poggi – especialista em Economia Rodoviária - José Conde Caldas, arquiteto e presidente da Ademi - Luiz Fernando Janot, arquiteto e urbanista, professor da FAU-UFRJ

2º Dia: 17 de maio de 2011

9:30h - 2º mesa - As expectativas suscitadas com o projeto Porto Maravilha
Moderador: Roberto Anderson Magalhães, arquiteto e urbanista
Expositores:
- Carlos Machado – presidente do bloco Filhos de Ghandi e líder comunitário local
- Maurício Hora – artista e líder comunitário do Morro da Providência
- Jorge Bittar - Secretário Municipal de Habitação - Sonia Rabello, professora de Direito e Vereadora

14:00h - 3º mesa – Modelos e ideais do projeto Porto Maravilha
Moderador: Rachel Coutinho – arquiteta e urbanista, coordenadora do PROURB/UFRJ
Expositores:
- Jorge Arraes – Presidente da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro – Cdurp
- Sérgio Magalhães – arquiteto e urbanista, presidente do IAB-RJ
- Nina Rabha – arquiteta e urbanista, estudiosa da questão da recuperação da Área Portuária

16:00h - 4ª mesa – Os impactos e as conseqüências
Moderador: Cecília Herzog – paisagista urbana e presidente da ONG Inverde
Debatedores:
- Paulo Vidal Leite Ribeiro – Coordenador de Conservação e Projetos Especiais da Subsecretaria do Patrimônio Cultural, Intervenção Urbana, Arquitetura e Design - Cristóvão Duarte – arquiteto e urbanista, professor do Prourb - Maria Fernanda Lemos, arquiteta e urbanista, professora da PUC-RJ

Inscrições e informações:
Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro – IHGB
Av. Augusto Severo, 8 – 12º andar – Glória
20021-040 – Rio de Janeiro – RJ
Tel.: (21) 3852-0995 / 8457-9560
presidencia@ihgb.org.br

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Lá se vai o Patrimônio: Brahma x cidade

Prédios da Brahma no Catumbi


O que diria o arquiteto Carlos Nelson Ferreira dos Santos, se estivesse vivo, ao ver a programada demolição dos prédios da antiga Fábrica Brahma no Catumbi? Ele que estudou as agressões dos projetos rodoviaristas ao Catumbi concordaria com esse apagar da memória industrial do bairro e da cidade? Atualmente a Brahna tem em seu terreno no Catumbi dois prédios. Um deles tem sido usado como anexo do chamado camarote da Brahma, durante o carnaval. No entanto, para ampliar o Sambódromo a Prefeitura negociou uma parceria com a Brahma: concede a licença de demolição dos dois prédios, os quais eram protegidos pelo tombamento do Sambódromo agora anulado, concede licença de construção de torres projetadas por Niemeyer e, em troca, a Brahma executa a ampliação do Sambódromo. Tudo seria normal, não fosse a perda do Patrimônio. Só o lucro fácil e o desamor para com a cidade podem responder a tais absurdos.

domingo, 20 de março de 2011

Galeria de águas pluviais e o Cais da Imperatriz

pedras acumuladas no canteiro de obras


trecho do antigo Cais da Imperatriz desfeito para a passagem da nova galeria de águas pluviais


Segundo a arqueóloga Tania Lima, o Cais da Imperatriz, no ponto em que foi desmontado para a passagem da nova galeria de águas pluviais, já havia sido mexido na ocasião da implantação da drenagem de Edward Gotto, em 1870. Mas, muito importante, teria havido, então, o cuidado de repor tudo no lugar, reconstituindo o Cais da Imperatriz naquele ponto. De uma certa forma a arqueóloga dá a entender que o desmonte atual daquele trecho do cais não seria tão importante em função de já ter havido esse fato naquela ocasião. Acho esta opinião problemática. Uma drenagem de 1870 já é história. E ainda mais que naquela ocasião tiveram o cuidado de não danificar o cais. A verdade é que hoje o Cais da Imperatriz foi cortado sim. É possível que não houvesse outra alternativa para a apassagem da nova galeria de águas pluviais mas, de qualquer forma, esse debate necessitaria ter sido mais ampliado. E não foi. Os canos em ferro vindos da Inglaterra teriam sido recolhidos, assim como as pedras.


sexta-feira, 18 de março de 2011

Encontro com Raquel Rolnik no IAB-RJ




No dia 17 de março de 2011 aconteceu no IAB-RJ um Encontro com Raquel Rolnik para discutir o projeto Porto Maravilha. Em sua fala, a arquiteta e relatora da ONU para questões de moradia adequada explicou que num momento anterior à posse do atual prefeito, o governo federal se envolveu com o projeto do Porto do Rio, buscando a melhor forma de participar do mesmo. Como era proprietário de grande parte dos terrenos, o governo federal propunha, então, uma administração do projeto conjunta com a Prefeitura do Rio, através da constituição de uma empresa pública compartilhada. A intenção do governo federal, então, era a de destinar uma parte significativa dos terrenos disponíveis para a construção de moradias sociais.

No entanto, em algum momento se soube que a empresa OAS andava a pesquisar um modelo econômico e de gestão para a área do Porto do Rio. E quando ocorreu a mudança de gestão municipal, o novo Prefeito abandonou a proposta de criação de uma empresa em conjunto com o governo federal e optou pela criação de uma empresa municipal, a Cedurp. Em seguida, foi realizada uma licitação para definir a companhia que executaria as obras do Porto Maravilha, de acordo com o modelo desenvolvido pela OAS. E justamente a OAS, associada à Carioca Engenharia e à Odebrecht venceu esta licitação. Assim, a empresa irá executar o projeto de acordo com o modelo que ela mesma desenvolveu e que foi assumido pela Prefeitura do Rio.

Segundo Raquel Rolnik, o modelo em vigor no projeto Porto Maravilha não foi pensado como aquele que seria o melhor do ponto de vista urbanístico ou do ponto de vista da cidade, mas sim aquele que viabilizaria o negócio, a lógica financeira do projeto. O consórcio formado pelas empresas é remunerado pela Prefeitura para fazer as obras. Mas ele ganha de novo ao fazer estas obras e terá ganhos com a valorização dos terrenos. Após a viabilização das questões fundiárias, a Caixa Econômica entrará como sócia na incorporação dos futuros edifícios, viabilizando tal operação. Caso algo dê errado nessa lógica financeira, os prejuízos serão cobertos com recursos públicos municipais. O projeto Porto Maravilha revela-se, assim, em toda a sua inteireza: a abertura de mais uma frente de expansão para os investimentos do capital financeiro, do capital excedente internacional.

Além de todos os problemas aqui apontados, estariam ocorrendo problemas de ordem moral e legal. Os terrenos federais que estão sendo repassados à Prefeitura para que esta os coloque no mercado estariam sendo subavaliados. A diferença de avaliação seria da ordem dez vezes menos os reais valores dos mesmos. Os laudos de avaliação estariam deixando funcionários que os assinam em situação vulnerável frente a uma eventual fiscalização do Tribunal de Contas. Um bom exemplo dessa distorção seria a avaliação feita para a desapropriação do prédio onde ocorre a ocupação Maria Conga, também na Área Portuária, a qual seria bem mais alta que aquelas praticadas nos terrenos que interessariam ao projeto Porto Maravilha.

Ao final, Raquel Rolnik traçou um paralelo entre o que estaria ocorrendo na Área Portuária do Rio de Janeiro com aquilo que estaria ocorrendo nas áreas no entorno da Sala São Paulo, na capital paulista. Lá, como aqui, a área é tratada como um vazio populacional e um vazio de história e cultura, adotando-se algo que se poderia comparar à solução final: o arrasamento dessas áreas para um recomeço em bases palatáveis ao mercado. Assim, a oposição democrática a tais atos no Rio e São Paulo estariam frente à responsabilidade de barrar um modelo perverso, que se pretende que seja posteriormente espalhado por outras cidades brasileiras.

terça-feira, 15 de março de 2011

o Cais da Imperatriz foi rompido

trecho em que o Cais da Imperatriz foi rompido

esquema de situações conflitantes na área do Cais da Imperatriz


O Cais da Imperatriz, descoberto em escavações para a construção de uma galeria de águas pluviais na Zona Portuária, foi rompido para a passagem dessa galeria. Foi uma pena. É uma perda para a cidade que não tenha havidio uma discussão maior sobre isto e apenas cabeças coroadas decidam sozinhos sobre os destinos de achados arqueológicos.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Ainda ameaçado o Cais da Imperatriz

Galeria de águas pluviais em construção junto ao Cais da Imperatriz


Muito tem se falado sobre deixar o material arqueológico dos Cais da Imperatriz e do Valongo exposto ao público. O Prefeito mostrou sua surpresa com a descoberta (detalhe, a escavação já ocorria há dois meses), e até um projeto expedito já apareceu. Mas o que ninguém comenta é que a obra da nova galeria de águas pluviais continua lá, ameaçadoramente apontada para o Cais da Imperatriz. Se for dada a ordem de continuar, fatalmente uma parte desse cais será desmontada. Isto ocorrerá sem discussão? O cais do Valongo é importante. Por ali passaram escravos para serem vergonhosamente negociados na Rua do Valongo. A sua conformação não é ainda conhecida. Já o Cais da Imperatriz é uma obra completa, pensada em projeto e executada seguindo cânones artísticos da época. Cortar-lhe uma parte seria extremamente grave e uma mutilação.

terça-feira, 8 de março de 2011

Cristo Redentor do Rio de Janeiro?

O Cristo é um monumento da cidade ou um monumento religioso? Se as duas respostas forem corretas, será possível compatibilizar esta ambivalência?
O monumento do Cristo Redentor foi inaugurado em 1931. Ele substituiu uma estrutura anteriormente existente que abrigava os visitantes daquele ponto de apreciação da paisagem da cidade. Um concurso realizado em 1923 escolheu o projeto do engenheiro Heitor da Silva Costa, em que o Cristo segurava uma cruz e o globo terrestre. Carlos Oswald colaborou na definição da forma do cristo com os braços abertos. A execução das mãos e da cabeça da foram do escultor francês Paul Maximilian Landowski. Os recursos para a construção foram obtidos através de uma campanha nacional para arrecadação de fundos, que foram entregues em paróquias de todo o Brasil.
Uma vez concluído, o Cristo tornou-se um símbolo da cidade, visitado por milhares de turistas todos os anos. Ao longo de sua existência já passou por algumas restaurações, bancadas por fundos privados e públicos. Nas últimas décadas acentuou-se muito essa característica de marco turístico, ficando o aspecto religioso um pouco em segundo plano. A figura que se vê no alto do Morro do Corcovado ganhou em humanidade, freqüentando todo tipo de imagens relativas à cidade, de charges em jornais ao cristo mendigo da Beija-Flor, de cartões postais a campanhas de soerguimento da autoestima carioca.
No entanto, ultimamente a igreja católica decidiu reforçar o aspecto religioso do monumento. Celebrações religiosas, que antes se resumiam ao interior da pequena capela existente aos pés do Cristo, ganharam o espaço exterior. E finalmente uma iluminação multicolorida foi encomendada a Peter Gasper. Aquele ser discreto que, numa luz clara serenamente abria seus braços sobre à cidade à noite, foi substituído por um outro ser extravagante, que se exibe nas cores púrpura, verde, vermelho, etc. O mesmo vem ocorrendo com a catedral na Lapa. Segundo anunciado, o Cristo seguirá a liturgia católica, permanecendo roxo durante a quaresma, como os santos encobertos nas igrejas.
Seria pedir demais solicitar à igreja que considerasse a afeição laica que temos para com este Cristo, o carioca? Nunca mais teremos de volta a discrição da luz clara que quando encoberta pelas nuvens produzia uma aura de mistério no topo da montanha? É triste ver um velho conhecido se perder assim...

quarta-feira, 2 de março de 2011

Esculturas do Cais da Imperatriz

Estátuas em mármore, do antigo Cais da Imperatriz, no Palácio da Cidade

Estátua do Cais da Imperatriz ainda no Jardim do Valongo



Cais da Imperatriz em 1904

A descoberta do Cais da Imperatriz e do cais do valongo pode ser uma boa oportunidade para se discutir o retorno das esculturas que ornavam o cais projetado por Grandjean de Montigny para o seu lugar original. Elas hoje estão no Palácio da Cidade, na Rua São Clemente. Mas devem voltar, ou para o Jardim do Valongo, onde estiveram nas últimas décadas, ou para o espaço que será criado após a redescoberta dos antigos cais.

terça-feira, 1 de março de 2011

Cais da Imperatriz
























Coluna com esfera armilar e trechos escavados dos antigos Cais da Imperatriz e cais do Valongo. Fotos Robeto Anderson Magalhães/ 2011

O Cais da Imperatriz foi construído em 1843 por Grandjean de Montigny no Valongo, no que hoje é a Rua Barão de Tefé. Antes, ali já havia o cais do Valongo, com calçamento de pedras irregulares. A construção do Cais da Imperatriz deveu-se à chegada da futura esposa de D. Pedro II, D. Teresa Cristina. Ele foi executado com pedras aparelhadas e contou ainda com uma fonte em forma de coluna encimada por uma esfera armilar e estátuas de mármore representando divindades gregas. Da antiga fonte só restou a coluna, que ainda se encontra no local, já que a sua bacia e as bicas desapareceram. As estátuas foram inicialmente deslocadas pelo Prefeito Pereira Passos para o Jardim do Valongo e, no final do século XX, foram levadas para os jardins do Palácio da Cidade na Rua São Clemente. Já o cais permaneceu encoberto pelo aterro que criou a atual Área Portuária. Mas sempre se soube da sua localização aproximada.
As obras de recuperação da Área Portuária, agora chamadas de Porto Maravilha, entre outras coisas, planejam a reestruturação do sistema de drenagem daquela área. O que seria positivo levou ao equívoco de se projetar a principal galeria de águas pluviais no leito da Rua Barão de Tefé, a mesma onde um dia existiu o Cais da Imperatriz. Ora, consequentemente, a construção da galeria encontrou o antigo cais, criando-se uma situação em que o Patrimônio da cidade fatalmente deverá ser danificado. Não há como a galeria continuar o seu caminho sem a desmontagem parcial do belíssimo cais. Mas desmontá-lo significa dar continuidade a um erro terrível. Baseado na pouca tradição de radicalidade na preservação do nosso Patrimônio e no poder das empreiteiras, já se pode desconfiar de qual será o desfecho desta estória...

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

No Brasil ou no Egito, a defesa da democracia não pode ser relativa!


Noivos nas barricadas do Cairo


Em entrevista à jornalista do jornal O Globo, Fernanda Godoy, publicada em 07 de fevereiro de 2011, o sociólogo egípcio Saad Eddin Ibrahim, professor visitante na Universidade de Drew, em Nova Jersey, afirmou que Brasil, Índia e África do Sul desapontaram os militantes pró-democracia daquele país. Eis a resposta do professor quando questionado sobre as razões dessa decepção.

“Porque esses são países do Terceiro Mundo. Se eles tivessem tomado uma posição em defesa da democracia no Egito, teria sido recebido de outra maneira. Todas as vezes que os EUA ou a Europa falavam em democracia, os representantes do regime gritavam: ’Imperialismo!’, ‘Colonialismo!’. Mas se a Índia, o Brasil, ou a África do Sul tivessem ficado do nosso lado, como nós fizemos quando eles lutavam contra o apartheid ou a ditadura militar brasileira, se esses países, que são democracias emergentes, sem aspirações colonialistas, tivessem se colocado do lado da democracia, teriam nos ajudado muito. O governo não poderia dizer que estávamos convidando a uma intervenção.


sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Porto Maravilha?

Galpão da Artes - Foto Roberto Anderson

A requalificação de áreas portuárias não é um fenômeno novo e a razão é também muito conhecida. Está relacionada a alterações na operação da atividade portuária, que passou a prescindir de grandes espaços de estocagem de mercadorias, os retroportos. Assim, essas áreas, que geralmente têm boa localização e são servidas de infraestrutura urbana, passaram a ser reaproveitadas pelas cidades, transformando-se em locais de escritórios, moradia, cultura e lazer.

No Rio de Janeiro, atualmente, antigos obstáculos políticos encontram-se transpostos e o projeto, agora chamado Porto Maravilha, foi iniciado. No entanto, a forma como se deverá se dar esta intervenção apresenta alguns problemas importantes. Abandonou-se uma versão mais leve do projeto, em favor de uma outra baseada no uso intensivo do potencial construtivo, voltada para a atração de capitais especulativos. A liderança do processo está com a Prefeitura e a atual orientação municipal é claramente privatista.

Até aqui, o processo de discussão do projeto Porto Maravilha não foi muito aberto e transparente. É necessário ampliar este debate. É urgente que se reabra a discussão sobre o projeto já em curso. É urgente que se repense o projeto como um todo, adequando-o aos interesses da população e não aos do mercado imobiliário, como parece ser o caso atualmente. Durante muito tempo se construiu a convicção de que a Área Portuária deveria ser olhada com mais cuidado pelo poder público. Esta convicção, e as expectativas que suscitou, não devem agora ser frustradas pela dominação desse projeto por interesses ligados unicamente ao alto retorno dos investimentos privados.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

O Estado do Rio patina no Pisa


Comparando os dados de 2006 com os de 2009 do Programa Internacional de Avaliação de Alunos – Pisa, que avalia o desempenho de estudantes de 15 anos, o movimento Todos pela Educação (1) conclui duas coisas importantes. Uma, que nesse período o Brasil teve a terceira maior evolução nas médias das 65 nações que participaram do programa. Outra, que o Estado do Rio de Janeiro foi o único da Região Sudeste a perder pontos também nesse período, além de ter apresentado a menor evolução da Região. O Estado do Rio de Janeiro ficou parado nos itens matemática (ganhou apenas dois pontos) e ciência (ganhou apenas um ponto). Em compensação, perdeu sete pontos em leitura, o terceiro item da avaliação do programa.
A percepção geral é de que o atual momento por que passa o Estado é de exuberância econômica. Há até mesmo confiança no futuro. Mas como ter esta confiança com nossos jovens recebendo este tipo de formação? Certamente, há algo de muito errado no modelo de desenvolvimento que vem sendo adotado.
(1) Movimento financiado pela iniciativa privada que objetiva promover a educação.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Demolição da Perimetral

Elevado da Perimetral no Rio de Janeiro - Foto: Roberto Anderson

Talvez seja um enorme equívoco, mas não está havendo discussão suficiente. Por que não reconvertê-lo? A palavra de ordem no mundo é a reconversão! Ele pode vir a ser o leito de um sistema de transportes sobre trilhos, como proposto por alunos da FAU/UFRJ, ou pode ser um parque suspenso, como o Highline em NYC. Mas tirar carros do alto para enterrá-los num túnel, com dinheiro público, é trocar seis por meia dúzia. O Lula não precisa saber de urbanismo, mas do jeito que vão as coisas, se derem a ele a chance de lançar a pedra fundamental de aterro da Baia de Guanabara, ele vai em frente. Basta um desses aliados dele do PMDB pedir!

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

domingo, 19 de dezembro de 2010

Implosão no Fundão

Foto Severino Silva/Agência O Dia

Uma parte considerável do edifício que abriga o Hospital Universitario Clementino Fraga Filho, no Fundão, foi implodida neste domingo, 19 de dezembro de 2010. O projeto do edifício é do arquiteto Jorge Moreira, mesmo autor do projeto da FAU/UFRJ, e permaneceu inacabado. Esta parte implodida, chamada de "perna seca", por falta de cuidados, terminou apresentando problemas estruturais. Ela correspondia a praticamente a metade de toda a edificação.
O que impressiona é que tantos edifícios de qualidade duvidosa tenham sido construídos nas ultimas décadas no Fundão e não se tenha aproveitado a estrutura do prédio de Jorge Moreira para receber os cursos que exigiram essas novas construções. Como pode o poder publico se dar ao luxo de ver investimentos se deteriorem até chegarem a este ponto?

domingo, 12 de dezembro de 2010

Cervejaria Brahma

Construção do Sambódromo, vendo-se a cervejaria Brahma à esquerda

Os prédios da antiga cervejaria Brahma no Catumbi acabam de ser condenados! Eles são os últimos resquícios do passado fabril daquele bairro. No passado, o Catumbi foi retalhado para a abertura da Linha Lilás, o que gerou uma diáspora dos seus antigos moradores e a perda de identidade. Mais tarde, com a construção do Sambódromo, outra parte do casario restante também foi demolida. Mesmo assim a Brahma resistiu todos esses anos, já que nesse período por diversas vezes foi negada a autorização para sua demolição. No entanto, agora essa demolição é iminente.
O Sambódromo, apesar de sua inserção problemática no bairro, foi tombado pelo Estado do Rio de Janeiro a pedido de Darci Ribeiro. Nesse tombamento, a cervejaria Brahma foi incluída como área de sua ambiência. Não era um tombamento, mas significava uma proteção à cervejaria. No entanto, pouco a pouco, a empresa passou a demolir o interior do prédio mais próximo ao Sambódromo. Agora, em função das Olimpíadas - sempre elas – o Sambódromo vai ser ampliado às custas da demolição desse prédio. Como se não bastasse, o outro prédio que se encontra afastado e a chaminé também deverão ir ao chão, já que a empresa planeja trocar seu investimento no Sambodromo pelo direito de construir um prédio negro de Niemeyer no terreno. A Ambev ira vender esse direito ao repassar o terreno a terceiros.
A antiga cervejaria Brahma tem um certo valor histórico, pois é parte de um período em que aquela área tinha indústrias e fábricas. Tem, também, valor paisagístico, já que marca a paisagem local já há tantos anos. A sua perda é mais um golpe na identidade do Catumbi e uma perda para toda a cidade.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Porto Maravilha




Area Portuaria em 2002 e em 1930/ Guta

Já há vários anos vem se falando sobre a necessidade de recuperação da Área Portuária do Rio de Janeiro. Este parece ser um consenso na cidade e nada justifica mesmo o fato daquela área com boa infraestrutura encontrar-se por tanto tempo abandonada. No entanto, é na forma como se dará esta recuperação que residem os problemas. É muito possível que a população tenha a esperança de um dia voltar a usufruir da orla da Baía de Guanabara, passeando pelo atual cais do porto. No entanto, isto não está totalmente garantido. Dependerá de como a companhia Docas venha a a tratar a área dos primeiros armazéns do porto: liberá-los para uso cultural ou alfandegá-los, ou seja, transformá-los em áreas de trânsito restrito a cargas, passageiros ou pessoal que lida com estas atividades.

A população pode estar pensando que os galpões antigos da Área Portuária, aquelas edificações existentes entre a Perimetral e as encostas, no futuro sejam recuperados e utilizados para atividades culturais, residências, escritórios, etc. Mas isto é pouco provável, uma vez que a maioria desses galpões não é protegida. Eles são passíveis de serem demolidos para darem lugar a edificações de 30 e 40 andares. Ha armazéns com belas fachadas e sistemas construtivos interessantes, mas tudo pode ir ao chão.

O planejamento da Área Portuária não considera adequadamente a implantação de meios de transportes sob trilhos ligando a área a outros pontos importantes da cidade. Há um estudo para a implantação de um VLT, mas este projeto encontra-se projeto pouco desenvolvido, ao contrário das novas ligações viárias já em fase de execução. A projetada demolição de um trecho da Perimetral será caríssima e a construção de um mergulhão muito mais. Serão obras rodoviaristas que utilizarão os recursos públicos para apenas trocar de lugar o trânsito de veículos motorizados. Há, ainda garagens subterrâneas a serem construídas. No futuro, planeja-se a derrubada total da via elevada para transformar a parte da Avenida Rodrigues Alves não servida pelo mergulhão em uma via expressa, ou seja, secionando a cidade de sua orla marítima.

A execução do projeto está a cargo de uma Parceria Público Privada (PPP), cuja licitação foi vencida por um consórcio de grandes construtoras (Norberto Odebrecht, OAS e Carioca Engenharia). Direitos de construção serão negociados e deverão servir para remunerar a empresa e custear os serviços. Esses mesmos direitos de construção que irão modificar radicalmente a fisionomia do lugar. O valor da PPP foi fixado em R$ 7,3 bilhões por 15 anos de concessão, a maior do gênero no Brasil. O consórcio além de executar as obras, será responsável pelos serviços, como limpeza e iluminação.

A legislação urbanística para a Área Portuária foi recentemente votada, apressadamente, com pouca participação popular nas discussões. Aprovou-se gabaritos de até 50 andares. A população não esta informada que a Área Portuária poderá ser fortemente verticalizada, sem muitas das construções antigas e dos galpões que hoje a caracterizam. É urgente que se faça essa discussão. É urgente que se repense o projeto como um todo, adequando-o aos interesses da população e não ao do mercado imobiliário, como parece ser o caso atualmente.