sexta-feira, 23 de março de 2012

Uma experiência, aparentemente banal, num dia comum de março de 2012 em trens do Rio de Janeiro

Trem da Central do Brasil

A viagem de ida ao Engenho de Dentro – Pego o trem "quentão" que vai para Japeri. É um trem sem ar condicionado, tão grafitado que os vidros das janelas não deixam ver o exterior. O trem sai da plataforma com lotação média, já que na parte da manhã a maior parte dos passageiros viaja no sentido oposto, dirigindo-se ao centro do Rio. Mal a viagem começa e o trem para, não muito distante da Central. Não há avisos que expliquem o que está acontecendo. Depois de algum tempo alguns passageiros jovens e mais exaltados forçam as portas para abri-las, ameaçando quebrar o vagão. Os demais passageiros aparentemente reprovam tal atitude, mas não se movem para impedir, nem mesmo quando os jovens tentam arrancar barras de metal do bagageiro. O trem volta à estação e os passageiros mudam para o trem parado do outro lado da plataforma. Não se ouve avisos que expliquem a movimentação dos passageiros, mas eles todos se mudam entre os dois trens uma, duas, três, quatro vezes. Sigo-os. Finalmente o trem parte e a viagem até o Engenho de Dentro transcorre sem mais problemas.

A viagem de volta à Central – Já sentado num banco da plataforma, ouço o serviço de alto falante anunciar que em aproximadamente dois minutos um trem com ar condicionado adentrará a estação. Esse anúncio é repetido diversas vezes ao longo de uns quinze minutos. Finalmente o trem com ar condicionado chega e está um pouco cheio. Os passageiros na plataforma embarcam, mas o trem não parte. As portas se abrem e se fecham inúmeras vezes, sem que se compreenda a razão. Não há avisos que esclareçam o que se passa. Muito tempo depois, ouve-se um aviso de que o trem estará em vistoria. Os passageiros descem para a plataforma. O trem apita e só uma parte dos passageiros consegue novamente embarcar, já que as portas dos vagões se fecham bruscamente. Mas o trem ainda não parte. As portas se abrirão e fecharão ainda muitas vezes antes que o trem siga viagem. Os passageiros olham seus relógios. Um, que leva quentinhas, avisa pelo celular que vai se atrasar. Por fim o trem parte e todos mantêm a expressão de estarem vivendo uma situação de plena normalidade do serviço de trens dos subúrbios do Rio de Janeiro.


terça-feira, 13 de março de 2012

Um teatro para a dança



A dança no Brasil é uma arte com imensas possibilidades de inclusão social e de iniciação da juventude no mundo artístico. Para o Rio de Janeiro ela é também uma oportunidade de difusão da cidade mundo afora. Mas o que falta fazer para que isto seja uma realidade mais palpável? Inicialmente, há a questão dos espaços para a dança. No início da década de 1980, tomou corpo a briga dos profissionais por um teatro para a dança, pois nunca havia espaços para a mesma nas pautas dos outros teatros. Quando muito, a dança era relegada a sessões em horários alternativos, como segundas e terças-feiras, ou semana santa e período natalino.

Quando a Funarte passou a reservar o Teatro Cacilda Becker para a dança, deu-se um grande passo. Em 1991 o Cacilda abrigou o Olhar Contemporâneo da Dança, evento do qual se originou o Panorama da Dança que cumpriu a importante função de ir ocupando novos e maiores espaços.

Após isto, o projeto de apoio municipal a companhias, que já não mais existe, mesmo com pouca clareza quanto aos critérios de distribuição dos recursos, deu sustentação a uma extensa rede de profissionais. A idéia do Centro Coreográfico foi caudatária de todo este ambiente que se criou e que passou a exigir novos desafios. Ele não seria apenas mais um espaço para a dança, mas um espaço qualificado, que irradiasse novas idéias e que acolhesse os profissionais e seus projetos. Seriam também necessárias verbas para as suas iniciativas, como o recebimento de companhias para residência temporária, conexões com outros espaços teatrais, formação de plateias, hospedagem de artistas de outras cidades, etc. Com recursos, suas produções ganhariam em qualidade e abrangência. Mas não foi bem o que ocorreu.

O projeto original do Centro Coreográfico previa a construção de um teatro para a dança, que não se realizou. Se hoje já é bem maior o espaço para a dança nas pautas dos teatros da cidade, a programação de dança ainda é amplamente minoritária. Além do mais, não se pode dizer que todas as linguagens são contempladas nessa nova distribuição de espaço. Se isto ainda ocorre, é evidente que o projeto de um teatro público para a dança no Rio continua válido. A cidade de São Paulo se prepara para edificar o seu.

A Prefeitura do Rio de Janeiro tem uma responsabilidade importante no fomento à dança, através de subvenções à criação, produção e circulação de trabalhos dos artistas da dança carioca. E ela deveria considerar a possibilidade de construção de algo mais sólido do que apenas editais de curta duração, nem sempre capazes de suprir as necessidades de um trabalho de longo prazo.

Foto: cadeira em Cuba

sábado, 10 de março de 2012

Em nome das Olimpíadas

Área do futuro campo de golfe e área a ser edificada na APA Marapendi

Em 20 de março de 2012, a APA Marapendi completa 20 anos. Ela situa-se entre a Barra e o Recreio e corresponde a uma área de 932 hectares - o equivalente a quase sete Jardins Botânicos -, sendo um dos últimos remanescentes verdes na orla carioca. Visando preservar a área, as regras para edificação no local são bastante restritivas: a cada 40 mil metros quadrados, só 10% podem ser edificados. Por isso mesmo, ela sempre sofreu uma forte pressão imobiliária pela alteração dessas regras.
Usando a oportunidade criada com o clima de "tudo pode" gerado pela proximidade com as Olimpíadas de 2016, o Prefeito Eduardo Paes anunciou no dia 07 de março de 2012 a construção de um campo de golfe olímpico (a modalidade voltará às Olimpíadas, depois de 112 anos) na Reserva de Marapendi em terrenos da RJZ Cirela. Como contrapartida à construção do campo de golfe na Reserva, a Prefeitura do Rio vai permitir a construção de 23 prédios comerciais e residenciais, de até 22 pavimentos, em 7% da área. É uma alteração forte na legislação, feita de forma pontual. Terá passado pela Câmara?.
A legislação anterior limitava as construções em até seis andares - com a nova proposta, além de se ampliar o leque de apartamentos, a construtora terá ainda a prerrogativa de ter imóveis com vista para o mar. Outra questão que merece ser discutida é a adequação dos gramados de um campo de golfe à intenção de se preservar uma área de restinga com sua vegetação característica. Parecem objetivos muito contraditórios. De mais a mais, que cidadãos cariocas poderão usufruir desse equipamento e como será possível aos demais cidadãos usufruir das belezas da área sem que isto prejudique eventuais partidas em curso?

segunda-feira, 5 de março de 2012

O doce Patrimônio Imaterial




Prefeito confraterniza com vendedores de mate





A noção de Patrimônio está sempre evoluindo e sendo repensada. Ao longo do tempo esta evolução foi no sentido de ampliar a sua abrangência. A passagem do conceito de patrimônio histórico para o de patrimônio cultural permitiu agregar bens da arquitetura vernacular e artefatos produzidos artesanalmente ou em escala industrial. Também foram agregados os bens naturais, como montanhas, árvores e quedas d’água.

Uma das últimas expansões se deu com o reconhecimento do chamado Patrimônio Imaterial, significando que festas, formas de culto, saberes e atividades também são importantes para a memória de um povo e para a sua cultura. No entanto, aquilo que deveria ser apenas uma maior abrangência da visão sobre Patrimônio transformou-se num manancial de atitudes eleitoreiras para os políticos. Governantes que se sentem cobrados por sua inação em relação à deterioração do patrimônio edificado passaram a fazer tombamentos em série de bens imateriais. Deputados e vereadores passaram a invadir a seara dos órgãos de tombamento, promulgando leis de tombamento de bens imateriais a torto e a direito.

Por envolver pessoas que estão afetivamente ligadas às atividades agora valorizadas, tais atos têm uma grande capacidade de retorno político. E geram a falsa impressão de que muito se faz pelo Patrimônio. Enquanto concordava com a alteração da legislação que impedia a construção do espigão da Eletrobrás junto aos Arcos da Lapa, o Iphan-RJ promovia o tombamento das rodas de samba. Após demolir a Cervejaria Brahma no Catumbi, bem anteriormente protegido, o Prefeito Eduardo Paes se esmera em salamaleques diante dos vendedores de mate de praia, agora considerados Patrimônio imaterial. Em que isto alterará as vidas desses vendedores para melhor, é difícil saber. Talvez venham a ser alvos mais visados das operações de ordem urbana da Prefeitura.

Sem dúvida, é muito provável que vários dos bens imateriais que vêm sendo reconhecidos o mereçam. Mas é o suspeitíssimo novo interesse por parte dos governantes e políticos em geral por bens que não demandam restauração ou conservação que deve nos levar a colocar nossas barbas (e as do Patrimônio material) de molho.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Homs-Siria

Crianças de Homs

Eu gostaria que o governo do meu país fosse solidário com as vítimas do ditador Assad. Eu gostaria que o governo brasileiro apoiasse o fim da chacina na cidade síria de Homs. Mas o governo do meu país não abraçou a primavera árabe. O Ministro da Indústria e do Comércio do Brasil presenteou o seu correlato líbio com uma camisa da seleção brasileira. O governo brasileiro absteve-se na ONU em condenações a esses regimes ditatoriais. Os nossos governantes preferiram continuar de braços erguidos e mãos dadas com Kadafi até o fim. O governo do meu país deportou os lutadores cubanos e não quis apoiar a causa dos presos políticos de Cuba. O ex-presidente do meu país comparou os presos políticos a presos comuns e desdenhou da única alternativa que encontraram: a greve de fome. O governo do meu país apoia Hugo Chaves que cerceia a liberdade de imprensa. Então eu tenho poucas esperanças que o governo brasileiro apoie a luta dos cidadãos sírios por democracia.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Canetas, bugigangas, Patrimônio

Primeiro o prefeito Eduardo Paes fez um negócio com a Brahma em que esta recebeu autorização para demolir sua fábrica no Catumbi, que era preservada juntamente com o Sambódromo, e que a mesma sempre quis destruir. Em troca pelo pagamento das obras de ampliação do Sambódromo, a cervejaria, além da demolição do prédio, ganhou o direito de construir uma torre com projeto de Niemeyer. Detalhe: ela não pretende ocupar o futuro prédio e já anunciou que venderá o terreno com o novo direito de construção. Para demolir o prédio da Brahma, pressões foram feitas sobre o órgão de tombamento.
A demolição foi detonada pelo próprio prefeito que riu para as câmeras, satisfeito com seu ato de destruição da memória carioca. Depois, com os restos da demolição, mandou fazer uma canetinha e entregou a bugiganga a Oscar Niemeyer que, como um índio recebendo bugigangas de Cabral, sorriu satisfeito. Tudo muito ecológica-mercadologicamente correto, já que o entulho do que antes era o Patrimônio da cidade está sendo reciclado...
O nome Niemeyer tem sido usado à exaustão por prefeitos e governadores que desejam burlar a necessidade de concursos de projetos ou fazer alguma obra pouco recomendada. Este caso foi só mais um. Outro detalhe: certamente Niemeyer deseja a preservação de suas próprias obras...

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Demolição do Armazém da Praia Formosa


Armazém no antigo Pátio de Manobras da RFFSA na Praia Formosa - Foto Roberto Anderson Magalhães

Demolição do Armazém no antigo Pátio de Manobras da RFFSA na Praia Formosa - Foto Roberto Anderson Magalhães



O armazém do antigo pátio de manobras da RFFSA na Praia Formosa, Área Portuária, como atestam as fotos, está sendo demolido. Um terço já se foi. É uma pena, pois ele poderia ser aproveitado como um equipamento de uso cultural ou algo mais, que também fosse útil à sociedade. Em Nova Iorque, a recuperação da área do Meat Market se dá reutilizando os armazéns e até mesmo o viaduto da linha férrea se transformou em área de lazer, o High Line.

O armazém, em estrutura metálica e revestido de chapas metálicas, ocupava apenas uma parte do imenso terreno da RFFSA, onde será construída a Vila dos Árbitros, equipamento para as Olimpíadas de 2016. Vale lembrar que o projeto do arquiteto Flávio Ferreira, classificado em segundo lugar no concurso promovido pelo IAB-RJ, previa a manutenção do armazém. Foi divulgado que haveria uma mescla dos projetos vencedores, mas pelo visto venceu a vontade demolidora do Prefeito Eduardo Paes, que já demoliu a Fábrica da Brahma no Catumbi.


quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

A Restauração da Igreja do Convento de Santo Antônio no Rio de Janeiro

Portal do Convento de Santo Antônio


O Convento de Santo Antônio, no Largo da Carioca, e sua igreja já há algum tempo estão sendo restaurados. A equipe responsável pelos trabalhos é dirigida pelo professor Olínio Coelho. Na cobertura do convento as telhas francesas foram trocadas. Elas substituíam as originais, do gênero colonial, e foi preciso fabricar novas telhas que seguem o padrão original. O madeiramento da cobertura também foi revisto e em grande parte substituído. Com o rebaixamento do ponto do telhado, perdeu-se o galbo que o caracterizava. Na igreja, as alterações propostas serão ainda maiores e mudarão a conhecida imagem do convento. Isto porque haverá o resgate do desenho original da fachada maneirista. Esta era triangular, com dois coruchéis laterais. No início do século XX a fachada da igreja foi alteada e recebeu um formato neocolonial. É este acréscimo que será retirado, recriando-se o contraste com a fachada barroca da igreja ao lado, da Ordem Terceira de São Francisco da Penitência.

No interior da igreja, haverá o retorno do teto ao seu formato e posição originais. Ele encontra-se alteado e com sua forma alterada. As prospecções já realizadas descobriram três nichos nas paredes, que estavam vedados, e que serviam como confessionários. Também foram encontrados vestígios da antiga galilé (espaço aberto e coberto) à frente da nave da igreja. As intervenções em curso vêm exigindo muita coragem e determinação de toda a equipe para chegarem a bom termo.


segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

A insistência na demolição da Perimetral

Viaduto da Perimetral na Praça Mauá - foto Roberto Anderson


As inúmeras e constantes cartas de leitores no jornal O Globo mostram o quanto a anunciada demolição da Perimetral não está assimilada pela população. Sem discussões técnicas que considerem a vida útil do viaduto, a sua função dentro da estrutura metropolitana, alternativas de uso para o mesmo, e o que fazer com os carros que lá circulam, só é possível acreditar que são apenas razões estéticas e de valorização da terra em trecho a ser explorado pela especulação imobiliária que levam à determinação do atual prefeito em a demolir.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

A plataforma abandonada do Metro do Rio

Sabino Barroso, um dos autores do projeto da Estação Carioca do Metro do Rio, na plataforma abandonada naquela estação.



Esquema da Estação Carioca da Linha 1 do Metro do Rio



A Estação Carioca do Metrô do Rio tem uma plataforma abandonada abaixo da plataforma atualmente utilizada pela Linha 1. Ela está à espera da conclusão da Linha 2 de acordo com o projeto original. Este previa o prosseguimento do metrô pela Cruz Vermelha e Avenida Chile, até alcançar a Praça XV, o que seria de enorme valia para quem utiliza o sistema das barcas. No entanto, a concessionária do Metro do Rio, em troca da ampliação da sua concessão, jogou este projeto no lixo e fez a improvisada ligação da linha 1 com a linha 2. O absurdo desta situação, e também da alteração proposta para a Linha 4 (metrô para a Barra), é que quem planeja os transportes na cidade é a concessionária e não mais o poder público.


Chafariz da Estação Carioca

Foto Marcos Vinicius Cintra


A concessionária do metro do Rio está demolindo o chafariz existente no interior da Estação Carioca. Ele não vem sendo usado e o andar em que se encontra tem amplas áreas alugadas a uma faculdade privada. No entanto, a retirada do chafariz é mais um sintoma de que o projeto original da Linha 2 está cada vez mais distante, tendo sido descartado pelo absurdo arranjo de se jogar a linha 2 dentro da linha 1.

Quando projetaram as primeiras estações da Linha 1, entre as quais a da Carioca, os arquitetos Sabino Barroso, Jayme Zettel e José Leal o fizeram pensando no futuro entroncamento das linhas 1 e 2. A Estação da Carioca é a maior estação do metrô construída no Rio. Abaixo da parte visível, há uma plataforma inacabada a espera da ligação com a linha 2, que viria pela Cruz Vermelha e Avenida Chile, chegando até à Praça XV. A plataforma está lá, mas invisível para os passageiros que circulam na estação e que não percebem o desperdício do dinheiro público.


segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Prefeitura loteando praças

Praça Maurício Cardoso com tapumes - foto Aldo Santos Alves

Praça Maurício Cardoso em Olaria


A Prefeitura do Rio definiu um padrão perverso de tratamento das praças cariocas: ocupá-las ao máximo com equipamentos, como UPAs, UPPs, Clínicas de Família ou arenas culturais, economizando na compra de terrenos. Nem praças tombadas têm escapado deste processo. O Parque Ari Barroso na Penha e o antigo Jardim Zoológico em Vila Isabel, tombados pelo Estado do Rio, também estão sendo colonizados por diversos equipamentos. Mas praças não são reservas de terras e sim elementos vitais para a vida das cidades.
Agora, isto ficou absolutamente claro com o decreto municipal n. 34.311 de 18 de agosto deste ano, que alterou o uso de cinco praças nas Zonas Norte e Oeste. Por este decreto, as praças dos Lavradores, em Madureira; Soldado Francisco Vitoriano, em Campo Grande; Honoré de Balzac, em Senador Camará; Santa Bárbara, em Rocha Miranda; e Marechal Maurício Cardoso, em Olaria poderão receber Unidades de Pronto Atendimento (UPAs).

Isto contraria a Lei Orgânica do Município, que em seu artigo 235 prevê: "As áreas verdes, praças, parques, jardins e unidades de conservação são patrimônio público inalienável, sendo proibida sua concessão ou cessão, bem como qualquer atividade ou empreendimento público ou privado que danifique ou altere suas características originais.”
Algumas moradores afetados não estão dispostos a verem suas praças serem destruídas dessa forma. Este é o caso da Praça Marechal Maurício Cardoso (em frente ao supermercado Extra, logo depois do Clube do Olaria). Lá, eles já se reuniram várias vezes e estão se mobilizando para mostrar ao Prefeito o quanto estão insatisfeitos com a destruição de sua praça. Unidades de saúde pública sim, mas não às custas do fim das praças!


quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Turismo na Turquia, algo muito sério

A Turquia é um pais surpreeendente. Poucos brasileiros a visitam, o que é uma pena. Ademais, eles demonstram gostar de brasileiros. Situado na fronteira entre a Europa e o Oriente, o solo turco foi palco da fricçao entre os diversos povos e culturas que por ali passaram. Os gregos, com Alexandre o Grande o dominaram, contruindo cidades que hoje sao ruinas riquissimas. Também os romanos, os mongois e os cruzados ali dominaram por longos periodos, deixando marcas na cutura do povo turco. O império otomano, pela primeira vez, impos a cultura da Turquia a outros territorios vizinhos. Por fim, a aventura da aliança com a Alemanha na primeira guerra trouxe a ocupaçao por potencias ocidentais, so resolvida com a criaçao da Republica por Attaturk, que quer dizer o pai dos turcos.
Assim, a herança cultural da Turquia inclui ruinas greco-romanas, igrejas e casas dos primeiros cristaos, igrejas bizantinas, mesquitas deslumbrantes, munumentos da Republica , além de escavaçoes arqueologicas de periodos anteriores aos gregos. Para lidar com esta riqueza, e mostra-la aos visitantes, um guia de turismo deve estudar quatro anos na universidade. Somente apos estudos sobre esta vasta herança cultural, os guias recebem uma licença nacional, sem a qual nao podem trabalhar.
Cada localidade apresenta diferentes possibilidades de exploraçao pelo turista e os roteiros disponiveis sao bastante claros e bem estruturados. Em qualquer localidade que se chegue, um guia podera lhe oferecer pacotes de um ou mais dias, que se revelam muito uteis, pois sem eles a descoberta de certas atraçoes seria bem mais dificil.
A segurança também é um fator importante, pois nao ha aparentes ameaças a turistas e nem à populaçao em geral, que anda livremente pelas ruas até altas horas da noite.
Todo este esforço é muito bem recompensado por levas de turistas de diferentes paises que chegam à Turquia. Chama a atençao a presença dos japoneses e, crescentemente, de chineses.
Este profissionalismo no trato do turismo é algo que o Brasil precisa urgentemente aprender. Mas por enquanto, o nosso Ministério do Turismo é apenas mais um ativo nas maos da familia Sarney.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Transportes em Istambul

VLT em Istambul

Chama a atençao a varıedade de possıbılıdades de meıos de transportes dısponıveıs para os moradores de Istambul. Cıdade à beıra do Bosforo, com ladeıras e areas planas, Istambul usa com efıcıencıa o que a tecnologıa de transportes oferece. Na cıdade antıga pode-se usar um excelente VLT ou o funıcular (plano ınclınado) que conecta nıveıs dıstıntos do tecıdo urbano. Ha aında o moderno metro e o BRT. Conectando as partes da cıdade separadas pelas aguas, ha um sıstema de barcas bastante concorrıdo. A liçao, enfım, é que para problemas complexos, como o transporte urbano, a dıversıdade de opçoes é a melhor soluçao.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Gal fatal

Gal Costa



Meninos, eu vi.

A Gal era magra, cabelos enormes. No palco do Teresa Raquel, vinha com uma saia, tipo cigana, de cintura baixa. Sentava num banco próximo ao chão, abria as pernas e a saia se ajustava perfeitamente, deixando entrever os contornos da baiana. O violão era encaixado ali naquele vão. Ela deixava os cabelos cairem um pouco sobre o rosto e mandava: Ah sim, eu estou tão cansada... A platéia era enfumaçada e, enquanto ela cantava, o ruidoso silêncio que se estabelecia era entrecortado por interjeições de admiração. A Gal era fatal!



quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Loteando parques municipais

Parque Ari Barroso na Penha (simulação)



Parque Recanto do Trovador em Vila Isabel (simulação)



Há uma clara tendência da atual administração municipal de economizar em terrenos, avançando sobre praças públicas para a construção de equipamentos. Assim foi, por exemplo, com a construção de um horrendo prédio da Guarda Municipal na Praça Procópio Ferreira, em frente à Central do Brasil. No entanto, esta tendência se torna ainda mais problemática quando se trata da ocupação de parques tombados.

No Parque Ari Barroso, situado na Penha e tombado pelo Estado do Rio de Janeiro, às vésperas da última eleição municipal foi implantada uma UPA 24h. A seguir, no mesmo parque, foi instalada uma UPP. Esta sequer contou com pedido de licença. Foi no estilo Capitão Nascimento, na marra. Agora, a Prefeitura quer instalar ali uma construção de três andares, a Arena Cultural que, mesmo sem licença, já teve a obra iniciada. Além da Arena, projeta-se, também, uma Clínica da Família no parque.

Já no parque Recanto do Trovador, em Vila Isabel e também tombado pelo Estado do Rio de Janeiro, estão construindo uma Nave do Conhecimento e um espaço para a Comlurb. A obra, aqui também, teve início sem pedido de licença ao órgão de tombamento. No entanto, estranhamente, acaba de ser aprovada neste órgão, mesmo alterando radicalmente a área.

É bastante absurdo que se loteie parques dessa maneira, ainda mais na Zona Norte, onde há uma enorme carência de áreas verdes.





quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Cidade Heterogênea

Simulação do Espigão da Eletrobras na Lapa



No Rio de Janeiro, a breve tentativa de uma cidade beaux-arts tropical, que não chegou a abranger o todo da cidade carioca de então, foi substituída por algo heterogêneo e fragmentário que temos hoje. Esta ação, como a de construção da cidade anterior, não foi fruto de uma decisão geral, mas de ações de indivíduos e do poder público, buscando ganhos mais imediatos e uma imagem de modernidade que parecia lhes convir mais. Aliás, sobre o fetiche da modernidade, vale a pena ver as palavras do secretário geral do Ministério do Turismo, preso recentemente em operação de Polícia Federal. Ao orientar a fraude no ministério sugeriu: “o importante é a fachada ser uma coisa moderna que inspira confiança...”.


Um grande problema no Rio de janeiro é o fato do Poder Público parecer continuar como agente da destruição de paisagens que são caras aos habitantes. É o caso da proposta do espigão da Eletrobras em pleno eixo de visada dos Arcos da Lapa, monumento maior da nossa carioquice. Ou quando um projeto, como o Porto Maravilha, deixa de ser pensado a partir das qualidades endógenas do lugar, e sim como um modelo a “la Dubai”, a ser imposto por sobre a destruição de exemplares bastante interessantes de armazéns. Como nossas autoridades gostam de exemplos externos, valeria à pena uma visita ao “Meatpacking District” em Nova Iorque, para se ver que é possível um melhor aproveitamento das características industriais da nossa Área Portuária. Outra péssima iniciativa é atual tendência de se ocupar praças públicas com equipamentos de saúde, da guarda municipal, da polícia e, até mesmo, da cultura.


Olhar para o passado nos ajuda a compreender erros e acertos. Preservar partes importantes desse passado, reciclando-os no presente, é importantíssimo. Construir o presente com criatividade e ousadia é bem mais ainda. Então vivamos nossa cidade heterogênea da atualidade, mas com qualidade urbanística e arquitetônica, por favor!




quarta-feira, 10 de agosto de 2011

BRT no Transcarioca?

Traçado do BRT Transcarioca


Com a Copa do Mundo, que ocorrerá em diversas cidades do Brasil, a precariedade do transporte público de nossas cidades ficou mais evidente. A busca por baixos custos e o lobby dos empresários do setor de transportes motorizados vem levando à adoção do BRT (Bus Rapid Transit) como solução padrão nessas cidades. Há previsão de implantação de BRT em nove das 12 sedes da Copa do Mundo de 2014, com investimentos do governo federal para obras, e da iniciativa privada para compra dos ônibus articulados. Poderão ser 20 novos sistemas de BRTs. No Rio de Janeiro, além da Copa, as Olimpíadas de 2016 também pressionam para que sejam adotadas soluções para o transporte público.


O problema é que a solução escolhida nem sempre atende às reais necessidades dessas cidades e a suas demandas de longo prazo por transporte público de qualidade. O BRT é uma evolução da reserva de faixa de rolamento já praticada nos EUA nos anos 1950. Lá, isto perdurou por aproximadamente uma década, sendo abolido depois. Na década de 1970, a cidade de Curitiba implantou uma forma mais evoluída deste sistema, com vias segregadas, paradas em forma de estações e compra de bilhetes antes do embarque, o que se tornou um paradigma como solução mais barata do que a construção de trens e metros. Atualmente, o BRT de Curitiba tem uma capacidade em torno de 16 a 20 mil passageiros/hora/sentido. Ao atingir uma capacidade ainda maior, em torno de 35 mil passageiros/hora/sentido (na prática, em torno de 41 mil, por haver muitos passageiros viajando em pé), o Transmilênio, em Bogotá, tornou-se uma nova referência desta modalidade.


No entanto, este patamar do Transmilênio não é facilmente alcançável. Ele conta com faixas duplas em áreas de ultrapassagens e prioridade de travessia em cruzamentos. Alguns corredores de transporte no Brasil necessitam de soluções que atendam a demandas bem maiores. Este parece ser o caso do corredor T5, atual Transcarioca. Ele ligará a Barra da Tijuca ao Aeroporto Tom Jobim, numa extensão de 39 km e com previsão de custo de R$ 1,3 bilhão. Além disso, haverá o custo das desapropriações. A Prefeitura do Rio divulga que este BRT deverá servir a 400 mil passageiros/dia. No entanto, há avaliações independentes que consideram ser muito maior o potencial de passageiros neste trajeto, o que significaria que o novo BRT poderia já surgir ultrapassado em sua capacidade de servir à cidade. Da mesma forma, o corredor da Avenida Brasil, também com previsão de implantação de um BRT, teria uma demanda em torno de 600 mil passageiros/dia, que não pode ser suprida por este tipo de sistema de transporte. Assim, é preciso mais atenção a esses dados e maior transparência para que os vultosos investimentos não sejam em vão.




segunda-feira, 8 de agosto de 2011

O Porto Olímpico e o Projeto Aplauso

Projeto vencedor para o Porto Olímpico

Galpão do Projeto Aplauso


O Galpão do Projeto Aplauso, situado na Rua General Mendes de Moraes, na Área Portuária, é um dos mais interessantes galpões da cidade. Originalmente, era da CSN e foi construído em estrutura metálica importada (inglesa?), que se encontra muito bem conservada. Os vãos são generosos e, acima destes, há pontes deslizantes. A sua estrutura lembra aquela do palco do Theatro Municipal do Rio de Janeiro.


A área em que se encontra faz parte do projeto Porto Olímpico, que abrigará a vila da mídia e a vila dos árbitros. No entanto, no recente concurso de projetos para o Porto Olímpico, organizado pelo IAB-RJ, o galpão do projeto Aplauso simplesmente foi desconsiderado pelos vários projetos premiados. O projeto vencedor, de João Paulo Backhauser, propõe torres no seu lugar. Aliás, uma marca dos projetos selecionados foi não considerar a arquitetura existente. Apenas o projeto colocado em segundo lugar, de Roberto Aflalo Filho, propôs a manutenção de um galpão, o da antiga estação da Praia Formosa, vizinho ao do projeto Aplauso.


Além do interesse arquitetônico do galpão do Projeto Aplauso, é importante ressaltar o projeto social que lá é desenvolvido. Os alunos, provenientes de famílias economicamente carentes, têm aulas de metalurgia, português, circo, dança, etc. Vários saem de lá para trabalhar em estaleiros, outros se interessam pela vida artística, mas o mais importante é a visão humanista e globalizante da formação que recebem. O projeto merece o aplauso da cidade e a sua manutenção. Destruí-lo seria um enorme equívoco, um crime contra a memória industrial do Porto e do Rio e um crime contra o futuro desses jovens.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Projeto Aplauso - um belo projeto ameaçado



Galpão do Projeto Aplauso na Área Portuária do rio de Janeiro


O galpão do projeto Aplauso encontra-se ameaçado de demolição pelo projeto Porto Maravilha. Lá há aulas de dança, teatro, circo, soldagem, costura, construção civil, etc., etc. Tudo para jovens economicamente carentes. Sem falar que a arquitetura do galpão é fantástica. Mas, por enquanto, o galpão não é considerado nos projetos para a área. Os projetos vencedores do concurso do IAB sequer mencionam a sua existência.