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quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Metrô Rio: descuido e decadência

As primeiras estações da Linha 1 do metrô do Rio de Janeiro, inauguradas em 1979, foram projetadas pelo escritório de arquitetura comandado por Sabino Barroso, Jaime Zettel e José Leal. Esses arquitetos haviam colaborado com Oscar Niemeyer nos projetos para Brasília e projetaram estações elegantes, dentro de uma linguagem do modernismo carioca. Aquelas mais centrais receberam placas de mármore branco nas paredes e granito escuro nos pisos. Aquelas menos centrais, como o Largo do Machado, tiveram suas paredes revestidas com pastilhas coloridas de vidro, também um revestimento de qualidade. 

As estações eram claras e agradáveis de nelas estar. Nos primeiros anos de funcionamento o metrô do Rio se destacava por ser o local mais limpo e bem cuidado da cidade. Havia um constante exército de pessoas da limpeza, cujo trabalho inibia a ação de eventuais "sujismundos", como eram chamadas as pessoas que jogavam lixo em locais públicos. Depois de anos de obras a céu aberto, que tumultuaram a vida da cidade, era uma recompensa merecida.

As estações construídas após as estações pioneiras deixaram a linha de qualidade das primeiras e o resultado foi uma mistura de estilos pouco coerente. Há a estação Botafogo, com aparência de obra inacabada, há a estação Siqueira Campos, com jeito de arquitetura brutalista, em que o concreto das estruturas permanece aparente, e há a estação Nossa Senhora da Paz, com obras de arte de gosto duvidoso evocando a igreja acima e o ambiente praieiro do bairro. 

Mas o maior problema é que o metrô do Rio, além de não avançar, se tornou uma salsicha, em que uma linha vai sendo embutida na outra. Essa alteração improvisada do projeto original impede uma redução nos intervalos entre as composições. O ritmo de abertura de novas estações chegou a zero nas duas administrações de Cláudio Castro, o único dos governantes recentes a não inaugurar nenhuma nova estação do metrô. A última extensão do metrô do Rio de Janeiro se deu em 2016, com a inauguração da estação Jardim Oceânico. A última vez que novos trens chegaram ao sistema de metrô foi em 2015, quando foram entregues os trens que faltavam de um lote de quinze composições compradas na China para a linha 4 do metrô.

Desde 1998, após a sua privatização, a gestão do metrô do Rio é feita pela empresa MetrôRio, atualmente controlada pelo Mubadala, fundo soberano dos Emirados Árabes Unidos. Infelizmente, o metrô do Rio de Janeiro se transformou num espaço decadente, sujo e de mau gosto. Uma das primeiras ações da gestora foi cobrir com argamassa branca parte das paredes revestidas com pastilhas de vidro, um verdadeiro atentado à qualidade do projeto original. Em seguida instalaram placas metálicas coloridas nas paredes, fixadas com furos no revestimento original. Sobre estas placas colaram bolachas com imagens infantilóides de sandálias, de copos de suco e outras que, supostamente, representariam o clima da cidade. 

Em busca de aumentar a renda da gestora, as estações foram transformadas em verdadeiros mafuás, com todo tipo de barraca atravancando o caminho. Se um dia ocorrer uma situação de pânico, este será um enorme problema. O sistema de som do metrô está sempre admoestrando os usuários sobre os mais diversos temas, como se bárbaros fossem. As placas que revestem os corredores do metrô estão sujas. Volta e meia, escadas rolantes e esteiras param de funcionar e infiltrações e trincas são vistas por todo lado.

Por alguma razão, os trens do metrô ficaram mais barulhentos e mais sacolejantes. Os avisos sobre as próximas estações mal podem ser ouvidos. As estações e os vagões estão mal iluminados. Em alguns destes últimos, lâmpadas antigas por trás de placas de acrílico encardidas resultam numa luz mortiça, uma quase penumbra. Lembram aqueles ônibus já velhuscos que rodam por subúrbios distantes. Seria por economia ou para não deixar ver o descolorido dos bancos e a sujeira do piso? Todas essas foram transformações lentas, de um jeito que o usuário foi se acostumando, sem perceber que o seu metrô, o mais caro do Brasil, envelheceu precocemente. 

Artigo publicado em 13 de agosto de 2026 no Diário do Rio.