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| Manifesto da AAC em atentado a bomba contra o Jornal Opinião |
quarta-feira, 10 de abril de 2013
A História em minha rua
Na madrugada do dia 15 de novembro de 1976, ao chegar em casa na Rua Abade Ramos, no Jardim Botânico, reparei que havia dezenas de papéis jogados pelo chão. Por curiosidade, recolhi um deles. Era o manifesto deixado pela Aliança Anticomunista Brasileira após ter produzido um atentado a bomba no Jornal Opinião, vizinho ao prédio onde eu morava. Era um tempo difícil, em que jornais e opositores eram calados não só pela censura, mas também com a violência dos atentados. E a alegria de ser jovem, voltando de um encontro amoroso, parecia uma contradição.
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013
Uniformes do COI ou cultura viva?
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| Pequeno índio na Aldeia Maracanã- Rio |
O governador Cabral é um especialista em intrigar setores da sociedade uns contra os outros. Antes afirmava que o antigo Museu do Índio, ao lado do Maracanã, não tinha qualquer valor e botou a polícia na porta para invadir e derrubar. Agora que voltou atras na questão da demolição, quer desconsiderar os índios que salvaram o prédio, que alertaram a sociedade sobre o valor do imóvel e fazer de lá um museu com tochas e uniformes olímpicos. Quão atraente! É claro que muita gente boa, por não entender a questão ou por preconceito irá achar esta uma melhor solução. Mas não é. A Aldeia Maracanã se firmou, tem uma intensa programação cultural, e é mil vezes mais interessante que as tochas do COI.
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013
Bronzes na paisagem carioca
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| Escultura de Caymmi em Copacabana |
O século XX foi pródigo em artistas e personalidades que marcaram a cultura brasileira. Muitos desses personagens viveram ou ainda vivem no Rio de Janeiro. Após as mortes de alguns deles, a cidade começou a ganhar esculturas naturalistas que os homenageiam. Já há monumentos para Pixinguinha, Braguinha, Carlos Drumond de Andrade, Zózimo, Dorival Caymmi, Otto Lara Resende, e outros mais. Em geral, são obras pouco interessantes do ponto de vista artístico (no caso do Drumond pelo menos há a graça de se tirar fotos ao seu lado, sem falar na novela dos óculos roubados). E não são modestas como os bustos de antigamente. Nossa cultura é pródiga em talentos e ainda temos muito homenageáveis, como Chico, Caetano, Gil, Paulinho da Viola, etc., etc. Assim, é bom pensarmos se no futuro queremos que nossa cidade venha a ser pontuada de homens de bronze ou se há melhores formas de homenageá-los.
segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
Antigo Museu do Índio sem seus índios é como Fundição Progresso sem Perfeito Fortuna
| Pequenas índias no antigo Museu do Índio - foto Roberto Anderson |
Pela exclusividade de notícias
sobre o poder público e pelo constante apoio a lançamentos de projetos e factoides
dos governos, a coluna do Ancelmo Gois, no jornal O Globo, se tornou uma filial
dos Diários Oficiais do Município e do Estado. Nessa coluna foi possível
acompanhar as idas e vindas desses governos na sua conturbada relação com o prédio
do antigo Museu do Índio no Maracanã. Inicialmente o governador o demoliria,
alegando seguir orientações da Fifa. Isto, se viu depois, era falso. Em seguida
o governador afirmou, com todo o seu conhecimento sobre a história urbana da
cidade, que o prédio não tinha qualquer valor. O prefeito foi atrás e, passando
por cima de seu Conselho de Patrimônio, autorizou a demolição. O governador licitou
a empresa que faria a implosão e colocou sua tropa de choque para expulsar os
índios que lá haviam constituído a Aldeia Maracanã.
No entanto, a reação da sociedade
foi fortíssima e crescente. Não só os jovens que acorreram na primeira hora,
mas também artistas e políticos passaram a apoiar a permanência da edificação e
do projeto de um centro de referência da cultura indígena. Abaixo-assinados
agitaram as redes sociais e o assunto esteve em pauta durante todos esses dias.
Por fim, a Ministra da Cultura fez ver ao Governo do Estado que não haveria
apoio federal para a demolição. Na Coluna do Ancelmo o governador Cabral, que sabe
quando está isolado, anuncia agora que o antigo Museu do Índio não será mais
demolido, e que ele e o prefeito irão restaurá-lo "após a saída dos
invasores". Curiosamente esta notícia vem logo depois da confirmação do empresário
Eike Batista a um jornal paulista do seu interesse em receber o complexo do
Maracanã e ali construir estacionamentos e um shopping.
Ora, se toda essa lindíssima luta
pela preservação surgiu exatamente da insistência dos índios de diversas etnias
em lutar contra o desaparecimento de uma edificação que representava algo
importante para sua memória coletiva, como é possível separar a preservação do
prédio de uma finalidade ligada à questão indígena? A edificação que para o
governador não tinha qualquer valor, e que para muitos apressados estava
em ruínas, agora teria outro valor esvaziado de seu conteúdo imaterial? Ou o senhor
Eike teria conseguido comprovar ter sangue indígena?
Há aí uma esperteza do governo,
já que muitas pessoas que são contra a demolição do prédio não têm uma opinião
favorável à presença dos índios naquele local. Mas imaginar o antigo Museu do Índio
apartado da questão indígena é como imaginar a Fundição Progresso sem Perfeito
Fortuna.(1) É jogar ao mar quem verdadeiramente lutou por sua preservação. É
perder uma excelente oportunidade oferecida à cidade pelos que ocuparam o
prédio de termos um local de troca cultural entre diferentes povos.
Aliás, todas as atividades que já se desenvolvem no antigo Museu do Índio como
parte da resistência à sua demolição, e o apoio e participação de pessoas de
várias origens é o fato cultural mais interessante que se pode observar na
cidade nos últimos tempos. Pena que o Ancelmo não vá lá para conferir.
(1) No governo Chagas Freitas, Perfeito Fortuna e outros artistas subiram na fachada da Fundição Progresso, na Lapa, cuja demolição já havia começado. Só saíram de lá após receberem garantias de que o prédio seria preservado. Depois criaram um dos centros culturais de maior êxito na cidade.
(1) No governo Chagas Freitas, Perfeito Fortuna e outros artistas subiram na fachada da Fundição Progresso, na Lapa, cuja demolição já havia começado. Só saíram de lá após receberem garantias de que o prédio seria preservado. Depois criaram um dos centros culturais de maior êxito na cidade.
sexta-feira, 25 de janeiro de 2013
Um centro de cultura indígena no Maracanã?
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| Antigo Museu do Índio |
| Aldeia Maracanã |
| Portal do antigo Museu do Índio - foto Roberto Anderson |
A edificação como Patrimônio
Cultural
O prédio que abrigou o
antigo Museu do Índio, no Maracanã, ainda não tem uma data de edificação claramente definida, podendo ser do final do século XIX ou início do
século XX. Aparentemente sua destinação inicial foi um órgão ligado a pesquisas
agrícolas. Ele foi erguido em terras doadas pelo Duque de Saxe, marido de D.
Leopoldina, filha de D. Pedro II. A partir de 1953 ali existiu o Museu do Índio,
transferido em 1977 para Botafogo.
Atualmente o prédio e seu
terreno se encontram ocupados por diversos índios de várias etnias, que
construíram pequenas casas conformando a Aldeia Maracanã. Eles pretendem criar
um Centro de Cultura Indígena. No entanto, o Governo do Estado do Rio de
Janeiro realizou a compra do imóvel com a intenção de demoli-lo. Segundo o
governador seria para dar condições de evasão e circulação ao público do
Estádio do Maracanã, atendendo pedido da FIFA, o que aquela entidade nega.
Para se avaliar a
importância da edificação para a cidade do Rio de Janeiro e para o Patrimônio
Cultural, e o absurdo que seria a sua demolição, é necessário que se faça
quatro perguntas. Inicialmente, se o antigo Museu do Índio tem relevância na
paisagem. E a resposta é sim. O seu entorno foi enormemente modificado desde
que o mesmo foi edificado na primeira década do século XX. O Derby Club que ali
existiu deu lugar ao Maracanã, a Avenida Radial Oeste rasgou o tecido urbano ao
lado e diversas edificações foram substituídas. Mas a edificação antiga permaneceu,
no mesmo lugar, marcando a paisagem com sua torre de pedra e as águias nos
cantos da sua cobertura. Não há quem não passe pelo bairro do Maracanã e não
perceba a sua imponente presença.
A outra pergunta a se fazer
é se o prédio tem relevância histórica. E novamente a resposta é sim. Ali
ocorreram importantes pesquisas agrícolas. Ali o Marechal Rondon recebia índios
que, então, vinham de áreas quase inacessíveis do nosso país. Ali Darci Ribeiro
trabalhou pela causa indígena e ali existiu um museu exemplar, que influenciou
a criação de diversos outros museus etnográficos pelo mundo e foi premiado pela Unesco.
Uma terceira pergunta, se o
imóvel tem relevância arquitetônica e se é recuperável, também tem resposta
positiva. O imóvel, uma edificação eclética com características de prédio do
serviço público do início do século XX tem paredes sólidas e espaços generosos,
com dimensões difíceis de serem encontrados em construções do mesmo período. O
piso do primeiro pavimento é estruturado por vigas metálicas, as quais se
mostram preservadas. Sua entrada é marcada por um torreão e no hall uma escada
em estrutura metálica dá acesso ao segundo pavimento. Uma torre maior,
revestida de pedras, marca o encontro de duas outras fachadas. A cobertura
encontra-se danificada por falta de cuidados, assim como forros, escadas e
esquadrias. Mas tudo isto é plenamente recuperável, já que as peças ainda
existentes podem servir de exemplo para a recomposição.
Por fim, cabe perguntar se o
imóvel tem relevância para algum grupo social. E a evidência desta resposta é o
enorme esforço que tem sido feito por índios e brancos que se envolveram com o
problema para reverter a decisão do governador e impedir a demolição desse belo
prédio.
Uma prova da relevância do
imóvel para o Patrimônio Cultural do Rio foi a solicitação de tombamento pelo
Estado do Rio de Janeiro feita por técnicos do Instituto Estadual do Patrimônio
Cultural – Inepac em 1997. O poeta Eucanaã Ferraz, que dirigia o setor de
pesquisas daquele órgão escreveu:
"(...) Cabe notar, inicialmente,
que a construção é um típico remanescente de um sítio que, com os anos, sofreu
uma violenta desagregação. Estamos, desse modo, diante um testemunho eloquente
de uma qualidade urbana que se perdeu quase totalmente.
O prédio também chama atenção por
constituir-se como exemplar de arquitetura eclética do início deste século,
destacando-se, pelas intervenções e soluções formais, das obras anônimas e
convencionais de então.
(...) Acreditamos que o tombamento Estadual do prédio do antigo Museu do Índio, abandonado há vários anos e em precário estado de conservação, será importante não apenas para sua preservação, mas poderá ajudar no trabalho de revitalização da própria área em que se insere."
(...) Acreditamos que o tombamento Estadual do prédio do antigo Museu do Índio, abandonado há vários anos e em precário estado de conservação, será importante não apenas para sua preservação, mas poderá ajudar no trabalho de revitalização da própria área em que se insere."
Índios urbanos
Para entender a razão e a
validade do projeto proposto pelos índios, é interessante ver a resposta do
antropólogo Mércio Gomes, que já dirigiu a Funai, a uma pergunta de jornalistas
presentes a uma coletiva de imprensa no antigo Museu do Índio. Ele comentou a
reserva que ele e outros antropólogos tinham em compreender a existência de índios
vivendo em cidades, já que a antropologia tradicional vê o índio em sua
comunidade original, no meio rural ou florestado, e acredita que ali ele deva
permanecer. No entanto, o antropólogo afirmou que os índios ao invés de terem desaparecido
como grupos étnicos autônomos, passaram a crescer em termos populacionais,
reforçando os laços culturais que os unem. E eles vêm, individualmente ou em
grupos, buscando obter maior conhecimento e melhores condições materiais de
vida, aproximando-se das cidades. Há índios em universidades e em cursos
técnicos, ou apenas trabalhando em profissões diversas nas cidades. Isto sem
perder sua identidade indígena e o contato com seu grupo de origem.
Assim, a constituição desse
grupamento de índios de várias tribos brasileiras, de várias partes do país,
que passou a se denominar Aldeia Maracanã, seria plenamente justificável como
um ponto de referência para índios que se encontram na cidade do Rio de
Janeiro. A sua presença entre nós permitiria uma troca cultural que só teria a
enriquecer os cariocas. E o seu estabelecimento nesse local se daria por sua
imensa ligação com o lugar onde um dia existiu um centro de estudos de sua
cultura e onde antes seus antepassados se hospedavam quando aqui vinham para se
tratar de saúde ou para discutir com autoridades.
Por não considerar a
relevância histórica e cultural do antigo Museu do Índio, os responsáveis pela
reforma do Maracanã elaboraram seus estudos e mesmo executaram uma nova rampa
do estádio com a premissa de que a edificação poderia ser demolida sem
prejuízos à história e à cultura do Rio de Janeiro. Além disso, consideraram
que a dispersão do fluxo de pessoas saindo do estádio somente poderia ocorrer
com a demolição da edificação do antigo museu. Nada mais falso.
O Estádio Mário Filho ficou
conhecido, entre outras razões, por sua capacidade recorde de público no
Brasil. Ali já couberam quase 200 mil pessoas (199.854 pessoas na final entre
Brasil e Uruguai na final da Copa de 1950). Com novas intervenções visando o
conforto dos usuários, como a supressão da geral, sua capacidade caiu para 86
mil pessoas. As obras ora em curso, de adaptação do estádio para a Copa de
2014, reduzirão ainda mais esta capacidade, que passará para 76 mil lugares.
O cálculo da dispersão de
público deve considerar situações extremas, em que todos os espectadores do
estádio tenham que sair de uma única vez. Anteriormente o Maracanã contava com
duas saídas em forma de rampas, localizadas em pontos opostos do estádio. As
novas intervenções criaram mais duas saídas, de forma que o público poderá se
dividir por quatro saídas. Um cálculo aproximado das possibilidades de
acomodação dessa parcela do público nas ruas do entorno da rampa mais próxima
ao antigo museu revela que há sim espaço suficiente. Isto porque, como a rampa
tem outra metade voltada para a Avenida Radial Oeste, apenas a metade dos que vierem
a descer por essa rampa, supostamente optarão por se dirigir para a Rua Mata
Machado, rua existente entre o estádio e o antigo Museu do Índio.
Reservando-se um espaço de
0,70 x 1,00m para cada pessoa (largura mais que suficiente, considerando-se que
a largura média de uma porta é de 0,70m), seriam necessários 6.650m² para
acomodá-las. Este cálculo deixa de prever a hipótese em que as pessoas
continuassem a se dispersar pelas ruas vizinhas, que seria uma situação mais
próxima da realidade e que acrescentaria mais espaços disponíveis. Como a Rua
Mata Machado possui aproximadamente 6.984m² no trecho ao lado do estádio,
conclui-se que há espaço de sobra.
Além disso, a rampa de
descida em direção à Rua Mata Machado tem uma largura entre 9 e 10m, bem
inferior à largura da caixa da rua (rua e calçadas), de 24m. Isto significa que
o fluxo de pessoas vindas dessa rampa tem uma vazão bem inferior á capacidade
da caixa da Rua Mata Machado, permitindo que as pessoas que ali cheguem
caminhem mais livremente, ganhando distância da rampa e liberando espaço para o
fluxo contínuo que chegue à sua base. Assim, a Rua Mata Machado teria espaço
mais do que suficiente para receber todo o público do estádio que a ela se
dirigisse. Como este público estaria em movimento, ele não ficaria contido naquela
rua, expandindo-se para áreas vizinhas, aumentando em muito a capacidade de
dispersão e ampliando a área disponível para cada pessoa. Estes cálculos são
importantes para rebater com o mesmo tipo de argumento utilizado pelo governo
estadual a ameaça de demolição do antigo Museu do Índio.
Concluindo
É importante observar que a noção de Patrimônio não se
restringe aos bens oficialmente tombados. Uma imensa parcela daquilo que merece
ser preservado como Patrimônio Cultural pode ainda não ter recebido a chancela
oficial do tombamento. Este tombamento pode nem vir a ocorrer, o que não quer
dizer que estes bens devam ser demolidos. A presente mobilização para salvar o
antigo Museu do Índio está relacionada à violência que representa o seu simples
arrasamento. Os atuais governantes parecem querer reviver o "bota-abaixo"
que tanto marcou o Rio de Janeiro do início do século XX.
Em nome da Copa de 2014 e
das Olimpíadas de 2016 muitos absurdos vêm sendo cometidos em nossa cidade. A
demolição da fábrica da Brahma no Catumbi, por exemplo, foi um crime contra o
Patrimônio da cidade. As alterações pretendidas na APA de Marapendi para
abrigar um hotel e um campo de golfe são igualmente absurdas. A ameaça ao
antigo Museu do Índio está acompanhada da ameaça ao Estádio Célio de Barros, ao
Parque Aquático Júlio Delamare e à Escola Municipal Friedenreich. A investida contra esse
conjunto no entorno do Estádio do Maracanã sugere razões inexplicáveis à luz da
razão e da boa governança. Mas ela pode ter acordado um sentimento de
participação cidadã em todos que vem se manifestando a favor da preservação da
edificação, o que é maravilhoso. Se há índios que ocupam o prédio do antigo
Museu do Índio, que o governo federal deixou ao abandono, e se há índios que
propõem a sua preservação para lhe dar novos usos, nós, os não índios, devemos
agradecer e valorizar tal iniciativa. A
aldeia Maracanã, a sua resistência, e as pessoas que passaram a se sentir parte dela, índios ou não, é o fato cultural mais interessante dos últimos tempos. A união de todos os que se sentem indignados contra tais demolições, de
todos os que consideram importante a preservação do Patrimônio Cultural do Rio
de Janeiro e de todos os que apoiam a causa indígena poderá trazer uma
esperança de que desta vez a enorme especulação imobiliária que se estabeleceu
em nome dos jogos não prevaleça.
| Antigo Museu do Índio - fachada Radial Oeste - foto Roberto Anderson |
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| Antigo Museu do Índio - foto Roberto Anderson |
| Antigo Museu do Índio - escadaria do hall de entrada - foto Roberto Anderson |
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| na coletiva de imprensa - foto Paula Kossatz |
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| Na coletiva de imprensa - foto Katja Schilirò |
| Aldeia Maracanã - foto Roberto Anderson |
domingo, 23 de dezembro de 2012
A Câmara, o Prefeito e as maldades
Aprendizes de feiticeiro ou feiticeiros natos? O prefeito Eduardo Paes mandou para a Câmara de Vereadores projetos de lei que alteram parâmetros construtivos na Barra e prejudicam áreas de preservação, como a APA Marapendi. Envolvem a construção do Campo de Golfe na reserva, aumento de potenciais construtivos, etc. Os vereadores da sua base aperfeiçoaram as maldades do projeto, dando muito mais vantagens à especulação imobiliária. Agora o Prefeito posa de indignado e os vereadores o desmentem dizendo que as alterações partiram mesmo da Prefeitura. Jorge Pereira (PT do B, o que vem a ser isso?), vereador que promoveu boa parte das emendas ao projeto ameaça desmascarar o Prefeito: "O problema é que o Prefeito não assume situações impopulares. Basta lembrar a taxa de iluminação pública." Quem tem menos razão??!!
sábado, 8 de dezembro de 2012
Caquinhos substituem o anfiteatro da Lapa
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| Reurbanização da Lapa em 1992 |
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| Anfiteatro do Largo da Lapa |
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| Área plana já sem o anfiteatro |
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| Cacos de pedras reaproveitados |
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| Caquinhos de pedras costaneiras |
Em 1992, com projeto do arquiteto Augusto
Ivan, a Lapa foi reurbanizada. Uma das intenções do projeto era reordenar a
geometria das vias, já que as diversas demolições ali ocorridas tinham resultado
em calçadas estreitas, largas vias para automóveis e sentidos conflitantes das mesmas em relação à disposição do casario. Havia, ainda a intenção de dotar o entorno dos Arcos da Lapa de um projeto paisagístico à sua altura.
O projeto então realizado criou um anfiteatro
no largo diante dos Arcos, em que os degraus eram construídos com
lajedos, aquelas enormes placas de pedra que pavimentavam algumas calçadas de
antigamente. Nos anos que se seguiram, esse anfiteatro recebeu diversas
manifestações artísticas, como peças de teatro, apresentações de grupos
circenses, espetáculos de rock e o animado carnaval da Lapa.
No entanto, a atual administração cismou
com o anfiteatro, alegando que crianças de rua ali se escondiam após realizarem
pequenos furtos. Ao invés de reforçar o policiamento, decidiram por sua demolição.
No seu lugar ficou apenas uma área pavimentada, pobre em termos de concepção paisagística. Os lajedos foram dispostos em
semicírculo e as pedras costaneiras, algumas já muito danificadas foram
reaproveitadas. Não houve sequer o cuidado de substituir aquelas já muito
danificadas, resultando em áreas que são verdadeiros painéis de caquinhos. A
cidade perdeu um espaço de apresentações artísticas e poucos se deram conta.
Uma pena.
sábado, 24 de novembro de 2012
Por que índios no Maracanã? Coletiva de Imprensa da Aldeia Maracanã
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| Foto Paula Kossatz |
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| Foto Paula Kossatz |
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| Foto Paula Kossatz |
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| Foto Paula Kossatz |
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| Foto Katja Schilirò |
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| Foto Katja Schilirò |
Na sexta-feira, 23 de
novembro de 2012, os índios que se encontram no prédio e no terreno do antigo
Museu do Índio, no Maracanã, promoveram uma entrevista coletiva para a imprensa
nacional e estrangeira. Eles resistem à intenção do governador Sérgio Cabral de
demolir aquela edificação, onde estabeleceram a Aldeia Maracanã.
Entre outros, compareceram à
coletiva jornalistas da ESPN, do Jornal do Brasil, da Rede Brasil de Televisão
e de rádios e jornais de outros países, como de uma rádio holandesa. Segundo a
jornalista, sua atenção ao problema foi despertada após os índios da Aldeia
Maracanã terem ido ao encontro do Príncipe daquele país que visitava as obras
do estádio do Maracanã. À mesa, respondendo às perguntas, estavam o cacique
Carlos Tukano, o antropólogo Mércio Gomes, o procurador do Ministério Público
Federal Daniel Macedo, o advogado Arão da Providência Guajajara e eu, convidado
como arquiteto que poderia falar um pouco sobre a edificação.
Respondendo a uma pergunta
sobre o estranhamento da sociedade branca à presença de um grupamento de índios
no Maracanã, o antropólogo Mércio Gomes, que já dirigiu a Funai, comentou
inicialmente a maneira como ele e outros antropólogos tinham uma certa reserva
em compreender a existência de índios vivendo em cidades. Segundo ele, a
antropologia tradicional vê o índio em sua comunidade original, no meio rural
ou florestado, acreditando que ali ele deveria permanecer. Quando Mércio soube
que índios, já há muitos anos, passaram a ocupar o antigo Museu do Índio no
Maracanã, também se questionou sobre o que eles estariam a fazer ali.
Após essa pequena introdução
e após ressaltar a importância que teve o Museu do Índio para a etnografia
nacional e internacional, referindo-se também às presenças naquela edificação, em
outros momentos da história, do Marechal Rondon e de Darci Ribeiro, o
antropólogo passou a descrever a realidade populacional dos índios no Brasil de
hoje. Afirmou que quando se imaginava que eles desapareceriam como grupos
étnicos autônomos, sendo integrados à grande sociedade brasileira, eis que eles
passaram a crescer em termos populacionais, reforçando os laços culturais que
os unem. E eles vêm, individualmente ou em grupos, buscando obter maior
conhecimento e melhores condições materiais de vida, aproximando-se das
cidades. Há índios em universidades e em cursos técnicos, ou apenas trabalhando
em profissões diversas nas cidades. Isto sem perder sua identidade indígena e o
contato com seu grupo de origem.
Assim, a constituição desse
grupamento de índios de várias tribos brasileiras, de várias partes do país,
que passou a se denominar Aldeia Maracanã, seria plenamente justificável como
um ponto de referência para índios que se encontram na cidade do Rio de Janeiro.
A sua presença entre nós permitiria uma troca cultural que só teria a
enriquecer os cariocas. E o seu estabelecimento nesse local se daria por sua
imensa ligação com o lugar onde um dia existiu um centro de estudos de sua
cultura e onde antes seus antepassados se hospedavam quando vinham ao Rio de
Janeiro.
Ao ser perguntado sobre a
razão para o governador querer demolir o antigo Museu do Índio, o procurador
Daniel Macedo afirmou que as razões são obscuras. Que a liminar da juíza que impedia
a demolição havia sido derrubada e que na véspera seis carros do BOPE haviam
rondado o imóvel de forma ameaçadora.
O cacique Carlos Tukano
lembrou que o prédio do antigo Museu do Índio foi edificado bem antes do
próprio Maracanã e que seria um contrassenso demoli-lo para atender pretensas
necessidades de escoamento de público surgidas posteriormente. O cacique disse
que os índios e as pessoas que apoiam sua causa iriam resistir contra a
demolição do prédio. Respondendo a um repórter que lhe perguntou se havia
possibilidade de derramamento de sangue nesta resistência, o cacique foi
bastante equilibrado, lembrando que os índios não estão armados. Que
resistirão, mas que se houver violência, esta será da parte dos efetivos
policiais que possam querer retirá-los do local.
De minha parte, lembrei que
para se avaliar a importância da edificação para a cidade do Rio de Janeiro e
para o Patrimônio Cultural, é necessário que se faça quatro perguntas.
Inicialmente, se o antigo Museu do Índio tem relevância na paisagem. E a
resposta é sim. O seu entorno foi enormemente modificado desde que o mesmo foi
edificado na primeira década do século XX. O Derby Club deu lugar ao Maracanã,
a Avenida Radial Oeste rasgou o tecido urbano ao lado e diversas edificações
foram substituídas. Mas o prédio do Antigo Museu ficou lá no mesmo lugar,
marcando a paisagem com sua torre de pedra e as águias nos cantos da sua
cobertura. Não há quem não passe por ali que não perceba a sua imponente
presença.
A outra pergunta a se fazer
é se o prédio tem relevância histórica. E novamente a resposta é sim. Ali
ocorreram as primeiras pesquisas com sementes no Brasil. Ali Rondon recebia
índios que vinham de muito longe. Ali Darci Ribeiro trabalhou pela causa
indígena e ali existiu um museu exemplar, que influenciou a criação de diversos
outros museus etnográficos pelo mundo.
Uma terceira pergunta, se o
imóvel tem relevância arquitetônica e se é recuperável, também tem resposta
positiva. O imóvel, uma edificação eclética com características de prédio do
serviço público do início do século XIX tem paredes sólidas e espaços
generosos, difíceis de serem encontrados em construções do mesmo período. O
piso do primeiro pavimento é estruturado por vigas metálicas, que se mostram
preservadas. Sua entrada é marcada por um torreão e no hall uma escada em
estrutura metálica dá acesso ao segundo pavimento. Uma torre maior, revestida
de pedras, marca a fachada oposta a esta entrada. Sua cobertura encontra-se
danificada por falta de cuidados, assim como forros, escadas e esquadrias. Mas tudo
isto é plenamente recuperável, já que as peças ainda existentes podem servir de
exemplo.
Por fim, cabe perguntar se o
imóvel tem relevância para algum grupo social. E a evidência desta resposta é o
enorme esforço que tem sido feito por índios e brancos que se envolveram com o problema para reverter a decisão do governador e
impedir a demolição desse belo prédio.
Usando-se a Copa de 2014 e
as Olimpíadas de 2016 muitos absurdos vêm sendo cometidos em nossa cidade. A
demolição da fábrica da Brahma no Catumbi, por exemplo, foi um crime contra o
Patrimônio da cidade. As alterações pretendidas na APA de Marapendi para
abrigar um hotel e um campo de golfe são igualmente absurdas. A ameaça ao
antigo Museu do Índio está acompanhada de igual ameaça ao Estádio Célio de
Barros, ao Parque Aquático Júlio Delamare e à Escola Municipal Friedenreich. A
união de todos os que se sentem indignados contra tais demolições, de todos os
que consideram importante a preservação do Patrimônio Cultural do Rio de
Janeiro e de todos os que apoiam a causa indígena poderá trazer uma esperança
de que desta vez a enorme especulação que se estabeleceu em nome dos jogos não
prevaleça.
quarta-feira, 14 de novembro de 2012
Um parecer contra a opinião do senhor governador
Antigo Museu do Índio no Maracanã
Nas décadas de 1980 e 1990, o poeta Eucanaã Ferraz trabalhou no Instituto Estadual do Patrimônio Cultural - Inepac e lá dirigiu o setor de pesquisas. Uma de suas ações foi o desenvolvimento de estudos naquele departamento, em 1997, voltados para o tombamento do antigo Museu do Índio, no Maracanã. Tanto os pesquisadores, como os arquitetos concluíram pela recomendação do tombamento estadual do imóvel, o qual não ocorreu por razões de ordem política. Agora, no momento em que o governo vem tentando demolir o mesmo alegando não ter valor cultural, é interessante conhecer parte do parecer técnico do Inepac sobre o Antigo Museu do Índio.
... "Nossa equipe, no entanto, conseguiu reunir um número expressivo de dados históricos e material iconográfico, além de realizar algumas visitas ao local, em parceria com os arquitetos do 'Departamento de Patrimônio Natural e Cultural'.
Os resultados alcançados comprovaram as impressões que nos motivaram em direção aos estudos sobre o bem: seu valor cultural, histórico e arquitetônico.
Cabe notar, inicialmente, que a construção é um típico remanescente de um sítio que, com os anos, sofreu uma violenta desagregação. Estamos, desse modo, diante um testemunho eloquente de uma qualidade urbana que se perdeu quase totalmente.
O prédio também chama atenção por constituir-se como exemplar de arquitetura eclética do início deste século, destacando-se, pelas intervenções e soluções formais, das obras anônimas e convencionais de então.
(...) Acreditamos que o tombamento Estadual do prédio do antigo Museu do Índio, abandonado há vários anos e em precário estado de conservação, será importante não apenas para sua preservação, mas poderá ajudar no trabalho de revitalização da própria área em que se insere."
Eucanaã Ferraz
Diretor do departamento de Pesquisa e Documentação - Inepac
Nas décadas de 1980 e 1990, o poeta Eucanaã Ferraz trabalhou no Instituto Estadual do Patrimônio Cultural - Inepac e lá dirigiu o setor de pesquisas. Uma de suas ações foi o desenvolvimento de estudos naquele departamento, em 1997, voltados para o tombamento do antigo Museu do Índio, no Maracanã. Tanto os pesquisadores, como os arquitetos concluíram pela recomendação do tombamento estadual do imóvel, o qual não ocorreu por razões de ordem política. Agora, no momento em que o governo vem tentando demolir o mesmo alegando não ter valor cultural, é interessante conhecer parte do parecer técnico do Inepac sobre o Antigo Museu do Índio.
... "Nossa equipe, no entanto, conseguiu reunir um número expressivo de dados históricos e material iconográfico, além de realizar algumas visitas ao local, em parceria com os arquitetos do 'Departamento de Patrimônio Natural e Cultural'.
Os resultados alcançados comprovaram as impressões que nos motivaram em direção aos estudos sobre o bem: seu valor cultural, histórico e arquitetônico.
Cabe notar, inicialmente, que a construção é um típico remanescente de um sítio que, com os anos, sofreu uma violenta desagregação. Estamos, desse modo, diante um testemunho eloquente de uma qualidade urbana que se perdeu quase totalmente.
O prédio também chama atenção por constituir-se como exemplar de arquitetura eclética do início deste século, destacando-se, pelas intervenções e soluções formais, das obras anônimas e convencionais de então.
(...) Acreditamos que o tombamento Estadual do prédio do antigo Museu do Índio, abandonado há vários anos e em precário estado de conservação, será importante não apenas para sua preservação, mas poderá ajudar no trabalho de revitalização da própria área em que se insere."
Eucanaã Ferraz
Diretor do departamento de Pesquisa e Documentação - Inepac
segunda-feira, 12 de novembro de 2012
A glória dos vencedores na madrugada
Trio elétrico do Fluminense na madrugada do Rio de Janeiro
O comboio de jogadores e torcedores do Fluminense atravessou a cidade na madrugada deste domingo, acordando moradores que, torcendo ou não pelo time, precisariam acordar cedo no dia seguinte. Em Laranjeiras, junto à sede do clube, onde a comemoração se estendeu por muitas horas, os vizinhos tiveram que conviver com a barulhenta alegria que vinha do campo de futebol. Muitos reclamaram...
Não sendo propriamente um torcedor do Fluminense, me pergunto o que queremos? Um tempo domesticado com as horas de descanso para o trabalho no dia seguinte em eterna repetição, dando maior previsibilidade à máquina de fazer riquezas, ou um tempo que pode ter sua continuidade rompida aqui e ali para que nos lembremos que somos humanos, que somos produtores de cultura, que através de substâncias várias, efemérides, comemorações, etc. saímos da rotina vez por outra? Na falta de guerras bárbaras, o que temos mais próximo de guerreiros a serem laureados são mesmo os nossos atletas. Tenho ambições de ver a cidade parar para artistas e grandes pensadores também, mas aí já são outros quinhentos...
sexta-feira, 9 de novembro de 2012
Porto Maravilha descuidado da paisagem
Projeto de Norman Foster para terreno na Área Portuária do Rio de Janeiro
Em Londres, antes que ocorresse a reurbanização de Docklands, foram feitos estudos que buscaram definir as linhas mestras de aproveitamento da área, com a indicação de espaços edificáveis e estudos de massa das futuras construções. Em 1982 a London Docklands Development Corporation- LDDC encomendou este estudo aos urbanistas Gordon Cullen e David Gosling. O trabalho apresentado buscou valorizar os eixos visuais de destaque na área da Ilha dos Cães e a manutenção de pré-existências, como os espelhos d'água dos diques. Tais propostas não foram muito consideradas no projeto quando o mesmo finalmente foi executado, resultando em perda de grandes possibilidades paisagísticas e traçados urbanos presos a um formalismo ultrapassado.
No Rio de Janeiro o projeto de reurbanização da Área Portuária, atualmente batizado de Porto Maravilha, preocupou-se apenas com a definição de vias de circulação e índices construtivos. Não há um estudo que identifique as linhas de dominância na paisagem da área, nem de quais visadas deveriam ser preservadas ou valorizadas. Muito menos um estudo que busque preservar elementos característicos de qualquer área portuária - seus armazéns - e que poderiam se tornar um diferencial estético do projeto.
Ao sabor do preenchimento de frios índices de aproveitamento dos terrenos e das vicissitudes dos capitais que se constituem para o seu desenvolvimento, o Porto Maravilha está sob a ameaça de produzir um monstrengo que bloqueie a visibilidade das elevações do relevo carioca e faça um contraponto danoso às áreas de preservação existentes junto às encostas.
Outro problema que também pode arruinar o projeto é o apressado convite a arquitetos estelares, que parecem enviar seus projetos por fax, sem sequer conhecerem o sítio em que serão implantados. Assim é o caso do recentemente anunciado projeto do arquiteto inglês Norman Foster para o pátio da marítima, também na Área Portuária: dois troncos de pirâmide invertidos erguidos junto à linha do litoral que bloqueiam completamente a visão de toda a cidade que se desenvolve por trás dos mesmos. Na falta de estudos que garantam a preservação da paisagem da Região Portuária e a escolha das melhores localizações para os futuros empreendimentos, corre-se o risco de destruição de uma das últimas esperanças de um bairro diferenciado na cidade, resultando em algo bem mais próximo da imagem da Barra da Tijuca do que seria de se desejar.
Audiência pública das demolições
Audiência pública da privatização do Maracanã no Galpão da Cidadania
Audiência
Pública é um instrumento relativamente novo entre nós. Sua função é permitir
que a sociedade seja ouvida quanto a projetos públicos que possam interferir na
organização das cidades e na vida dos cidadãos. Ouvir a sociedade significaria
então receber seus questionamentos e considerá-los, aprimorando assim os
projetos em discussão.
No dia 08 de
novembro o Governo do Estado do Rio de Janeiro realizou uma audiência pública no
Galpão da Cidadania para discutir a privatização do Estádio Maracanã e do
Maracananzinho, e as propostas do mesmo governo de demolição do antigo Museu do
Índio, do Estádio Célio de Barros, do Parque Aquático Júlio Delamare e da Escola
Municipal Friedenreich, todos localizados no entorno desse complexo esportivo. Estavam
presentes centenas de pessoas, entre políticos, alunos e pais da escola Friedenreich,
torcedores, índios, atletas e cidadãos comuns.
O que
poderia parecer um exercício da democracia revelou-se apenas o cumprimento de
uma formalidade para que o governo estadual fosse em frente com seus insanos
propósitos. As poucas pessoas da audiência que chegaram a usar a palavra foram
unânimes em condenar as demolições pretendidas. A plateia, em massa, repudiou
os termos da audiência, manifestando-se através da exibição de cartões vermelhos,
de apitaços, de palavras de ordem cantadas, etc. Mas o Secretário Régis
Fichtner manteve-se impassível, seguindo a todo custo o ritual que o
possibilitaria mostrar em eventuais contestações judiciais um simulacro de
audiência pública. Ao fim, declarou apenas que o projeto não seria mudado, já
que o considerava o melhor para o Estado. Ficou bastante claro que nunca houve por
parte do governo a intenção de considerar qualquer reparo crítico dos cidadãos presentes
e que a audiência pública era apenas um evento para chancelar decisões que o
senso comum desaprova.
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
A Fundação Parques e Jardins - FPJ, sucessora da instituição que um dia já foi dirigida por Glaziou, e que tantos serviços já prestou à nossa cidade, encontra-se bastante esvaziada de poder de atuação. A atribuição pela poda das árvores nas ruas foi para a Comlurb (como é feita, é mais corte de galhos do que poda...). Boa parte do plantio de mudas é terceirizado, servindo como compensação pela construção de novas edificações. Também a autoridade da FPJ sobre o que se coloca nas praças está totalmente esgarçada, vide a colocação às vésperas das eleições deste ano de equipamentos de ginástica na Praça Ben Gurion, em Laranjeiras, que entraram espremidos de qualquer jeito entre o chafariz e um quiosque de flores. Ou vide os vários containers da Guarda Municipal que ocuparam e fecharam a praça Procópio Ferreira, em frente à Central do Brasil. É lamentável.
domingo, 12 de agosto de 2012
Lanterna do pastor
Num ônibus, sentado no banco dos fundos, o garoto ao meu lado pede ansiosamente que a mãe lhe deixe abrir um saquinho. De lá sai uma pequena lanterna, a qual ele leva acesa à boca. Me interesso pela coisa e fico sabendo que é uma lanterna comprada na igreja, por indicação do pastor, e que tem poderes de cura. Será usada para tratar a infecção na garganta do garoto...
quarta-feira, 8 de agosto de 2012
Nina Maria Rabha
Minhas homenagens à arquiteta NINA MARIA RABHA. Recentemente realizamos juntos um Seminário no IHGB sobre o projeto Porto Maravilha. Nina conheceu e estudou profundamente a Área Portuária, tendo sido administradora daquela Região Administrativa em duas gestões. Ela conheceu as pessoas e histórias do lugar e sempre lutou por uma requalificação da Área Portuária que partisse das qualidades ali existentes (palavras suas). Muito ao contrário do projeto do atual prefeito, que pretende demolir galpões, deslocar moradores e entregar os terrenos à especulação imobiliária.
terça-feira, 31 de julho de 2012
Antiga fábrica da Bhering na Área Portuária do Rio de Janeiro
Diz o artista plástico Barrão a respeito da ameça ao prédio da antiga fábrica da Bhering na Área Portuária (O Globo de 28.07.2012): "...em todos os bairros que foram transformados, como é o caso do que ocorre agora nessa região da Bhering, os artistas foram os primeiros a ser expulsos, junto com a comunidade local carente." Aparentemente, em função da repercussão gerada pela ameaça de expulsão dos artistas, após um leilão do prédio pela Receita Federal, o grupo que atua neste edifício pode vir a ser mantido. O prefeito, especialmente tocado em época de eleições, anunciou que desapropriará o imóvel. No entanto, os grupos artísticos que estão no Galpão Aplauso, no Galpão das Artes e os moradores de ocupações da mesma área continuam ameaçados. A própria Prefeitura promove esta expulsão.
quarta-feira, 25 de julho de 2012
Prezados leitores, sou candidato a vereador pela Cidade do Rio de Janeiro. Meu número é 43040 e convido a todos a seguirem a campanha na página http://robertoanderson.com.br/ . Obrigado, Roberto
terça-feira, 15 de maio de 2012
domingo, 15 de abril de 2012
REC Sapucaí - Brahma: fecha-se o círculo da especulação

REC Sapucaí, projeto do escritório Oscar Niemeyer
Antiga Cervejaria Brahma no Catumbi
Com o lançamento do edifício comercial REC Sapucaí, projetado por Oscar Niemeyer, fecha-se o círculo de uma operação bem sucedida de especulação imobiliária no Rio de Janeiro. Primeiramente, com a desculpa de que o Sambódromo precisava ser ampliado para as Olimpíadas, desfez-se o tombamento que protegia os prédios da cervejaria Brahma no Catumbi. Em seguida, com a promessa de poder demolir mesmo aqueles que não interferiam na projetada ampliação do Sambódromo, a Ambev custeou essa ampliação. O passo seguinte foi vender o terreno remanescente, desimpedido dos prédios anteriormente protegidos, cuja implosão foi detonada pelo próprio Prefeito Eduardo Paes. Com o projeto de Niemeyer, o terreno desimpedido e o direito de construção de uma lâmina de 19 andares, as empresas Prosperitas e Hochtief do Brasil entraram no negócio avaliado em R$ 550 milhões. A cidade perdeu seu Patrimônio, o Sambódromo avançou na sua posição de separador dos espaços do bairro do Catumbi, a Brahma livrou-se de um prédio que já não desejava restaurar, e os empresários da especulação imobiliária embolsarão muitos milhões. É o Rio que se prepara para as eleições municipais de 2012.
quinta-feira, 12 de abril de 2012
Aumenta o cerco...
O Congresso brasileiro se prepara para endurecer a Lei Seca, admitindo testemunhos de terceiros quanto ao estado de sobriedade do condutor do veículo. Toda esse aumento da vigilância sobre o cidadão é muito incômodo. O que é uma blitz em tempos de paz? Algo impensável em países onde se respeita os direitos individuais. Ser parado numa blitz, ser obrigado a soprar um bafômetro para provar que não bebeu, tudo isto são avanços sobre a liberdade dos indivíduos. Isto não quer dizer que não se deva defender multas e agravantes para quem se envolver em acidentes estando bêbado. Mas seria curioso ver um deputado ser parado numa blitz nos corredores do Congresso e ter que mostrar estratos bancários para provar que não está se corrompendo...
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