O momento é de mergulho numa crise sanitária largamente
antecipada que, enquanto ocorria em outros países, era observada um tanto
passivamente pelo governo brasileiro. A emergência da Covid-19 nos alcançou no
estado de inadequação, que há séculos nos caracteriza, com a nossa tremenda
desigualdade social. A gigantesca concentração de renda, as terríveis condições
de moradia, saneamento, escolaridade e renda da população mais pobre são
indignas de um país que é parte das 20 economias mais ricas do mundo, e que
pretende entrar para o clube dos países desenvolvidos, a OCDE. quinta-feira, 30 de abril de 2020
Covid-19, moradores de comunidades em auto-organização, Estado incapaz, e o presidente contra todos
O momento é de mergulho numa crise sanitária largamente
antecipada que, enquanto ocorria em outros países, era observada um tanto
passivamente pelo governo brasileiro. A emergência da Covid-19 nos alcançou no
estado de inadequação, que há séculos nos caracteriza, com a nossa tremenda
desigualdade social. A gigantesca concentração de renda, as terríveis condições
de moradia, saneamento, escolaridade e renda da população mais pobre são
indignas de um país que é parte das 20 economias mais ricas do mundo, e que
pretende entrar para o clube dos países desenvolvidos, a OCDE. quinta-feira, 5 de março de 2020
A continência da "namoradinha do Brasil"
quinta-feira, 20 de outubro de 2016
Parque de Madureira: um parque nada sustentável
Ao cortar a luz do Parque Madureira, por falta de pagamento, a Light deixou à mostra a insustentabilidade daquele parque. Ele exige consumo de energia para o chafariz, para a cascata, e para outras atrações. Isto sem falar na energia exigida para manter os gramados roçados. Parques para o mundo atual precisam ter um balanço positivo entre os serviços ambientais que fornecem e o consumo de energia que exigem. O modelo do Parque Madureira simplesmente não é replicável nas demais regiões da cidade!
segunda-feira, 17 de outubro de 2016
O buda da Santo Amaro
Um desses solares, hoje bem maltratado, é o que serviu como sede social do High Life Club, um clube de festas, restaurante e local de animados bailes de carnaval no passado. Antes, havia sido da família do Barão do Rio Negro. Depois de abrigar o clube, o imóvel também sediou o Incra, mas não mais.
Na calçada desse solar, há um morador de rua, que se arrumou debaixo de uma árvore. Lá ele guarda suas coisas e tralhas, e dorme num burrinho sem rabo. Dorme tranquilo, muitas vezes em pleno dia. Veja bem, eu disse morador de rua, não um mendigo. Ele parece ter uma saúde invejável. Mantém relações sociais com os vizinhos, leva seu pequeno cachorro a passear, conversa com os clientes do bar, e presta pequenos serviços na redondeza. Seu burrinho sem rabo está há tanto tempo no mesmo lugar, que imagino que já tenha obtido seu próprio CEP.
Dia desses, ele foi chamar a atenção de um mendigo que revirava uma lata de lixo, deixando cair sujeiras no chão: Ôo, não vê que o rapaz acabou de varrer a calçada? Ele é conhecido como Gande. Eu o vejo como o buda da Santo Amaro. Deve ter achado sua iluminação debaixo da árvore e lá ficou. Ou, aproveitando a antiga existência da sede do Incra, ali fez a sua pequena reforma agrária.
terça-feira, 21 de junho de 2016
O outro lado da Orla Conde
![]() |
| Av. Rodrigues Alves - foto Marcia Foletto |
Práticas sustentáveis no Copacabana Palace
Algumas coisas que descobri hoje. O Hotel Copacabana Palace tem um bom programa de reciclagem de seus resíduos sólidos. Papel e papelão, assim como garrafas PET, são prensados e, juntamente com vasilhames de vidro, são encaminhados para reciclagem. A parte sólida do lixo orgânico é separada, restando apenas 80% do volume inicial, que é encaminhado para o aterro sanitário. Mas que poderia ir para compostagem. Os funcionários que trabalham nesse setor são ex-catadores e agora estão empregados formalmente.
A energia consumida pelo hotel é comprada no mercado livre, oriunda de fontes renováveis, opção disponível para grandes consumidores. E o hotel irá construir uma estação de tratamento de esgotos a membrana para dar reuso a parte desse esgoto, já como água limpa, nas torres de arrefecimento de ar condicionado. Como se vê, há muito que empresas podem fazer na construção de práticas mais sustentáveis. E a Prefeitura pode incentivar para que isso aconteça!
terça-feira, 8 de março de 2016
Políticas urbanas para todos
![]() |
| Av. Rio branco, anos 30 |
Hoje, 08 de março de 2016, teve início uma série de debates promovidos pelo Psol, com o nome de Cidades Rebeldes. Entre os convidados, o nome mais conhecido é o do pesquisador inglês David Harvey. O debate de hoje, que assisti pela Internet, contou com a presença dele (que voltará a falar em outros dias), e das professoras paulistas Ermínia Maricato e Raquel Rolnik. Essas duas coincidiram no diagnóstico de que as cidades saíram do plano principal das políticas públicas. E que, apesar do Brasil contar com uma legislação urbana avançada, uma série de eventos nos últimos anos provocaram uma derrota de teses progressistas. Entre eles, o ainda recente gigantesco subsídio do governo federal aos automóveis, o projeto Minha Casa Minha Vida que, segundo afirma Ermínia, não busca atender o problema da moradia, e sim o mercado imobiliário, e a transformação do espaço das cidades em objeto de negócios, estando o Rio de Janeiro na dianteira desse processo. Foram citados como exemplos o Porto Maravilha e as obras para as Olimpíadas. As professoras não ousaram nomear os responsáveis por tais políticas. Mas consideraram importante voltar a sensibilizar a população para a discussão dos problemas urbanos, como forma de alertar sobre a necessidade de retomar o impulso por políticas urbanas para a maioria da população.
domingo, 14 de fevereiro de 2016
Troncal, circular, integrada
Os ônibus do Rio sempre tiveram uma dupla nomenclatura : numérica e indicativa de origem e destino. Agora com a chamada racionalização, a prefeitura adotou uma nomenclatura tecnocrática, como troncal 1, 2, 3, etc. Isso complica enormemente, pois não há uma correlação geográfica. Não sou contra que se busque planejar as linhas, que sempre foram o resultado dos interesses das empresas. Mas acho tolo querer nomeá-las por critérios que só o prefeito conhece. Planejamento sem consulta aos interessados dá nisso.
terça-feira, 2 de fevereiro de 2016
P3NS4 - o que perguntar?
Essa questão chegou a mim porque alguém de fora do Rio teria se encantado com o trabalho da Prefeitura do Rio sobre Árvores, o tal Projeto Árvore.
quinta-feira, 14 de janeiro de 2016
Museu do Amanhã (Rio), primeiras impressões
![]() |
| Marcas de sujeira nas paredes laterais |
quinta-feira, 17 de dezembro de 2015
Quem já lucrou com o projeto Porto Maravilha?
![]() |
| Museu do Amanhã no Porto do Rio de Janeiro |
Quem perdeu? Com certeza a Caixa Econômica, que foi levada pelo governo Lula a investir R$ 3,5 bilhões na compra de Certificados de Potencial Construtivo - CEPACS da Área Portuária. Foram usados recursos dos trabalhadores (FAT e FGTS) que se tornaram micos na mão da Caixa, já que não ocorreram os investimentos imaginados. Perde também, e muito, a cidade, que vê um projeto tão longamente desejado - a recuperação da sua área portuária - se transformar num projeto de especulação imobiliária, que não preserva o Patrimônio local, expulsa quem lá já estava e cria uma área inóspita, sem muitos moradores novos e pontilhada de torres espelhadas.
quinta-feira, 19 de novembro de 2015
Desastre ambiental em Mariana, hora de mudanças na extração dos recursos minerais
O Rio? É doce.
A Vale? Amarga.
Ai, antes fosse
Mais leve a carga.
Entre estatais
E multinacionais,
Quantos ais!
A dívida interna.
A dívida externa
A dívida eterna.
Quantas toneladas exportamos
De ferro?
Quantas lágrimas disfarçamos
Sem berro?
![]() |
| Protesto na sede da Vale do Rio Doce em 16.11.2015 - Foto de Silvia Knoller |
domingo, 1 de novembro de 2015
Quinta do Caju
Mico?
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015
BRT Transbrasil: Patrimônio em risco na área da Central do Brasil
![]() |
| Traçado do BRT Transbrasil |
segunda-feira, 28 de julho de 2014
Arte para os jovens, trabalho para os artistas
Há uma discussão em curso no Congresso Nacional que interessa a todos aqueles que trabalham com o ensino de arte ou se preparam para fazê-lo. Trata-se do projeto de lei 7032 de 2010 – PL 7032/2010 que altera os parágrafos 2º e 6º do artigo 26 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, o qual fixa as diretrizes e bases da educação nacional – LDB. Esse projeto de lei institui, como conteúdo obrigatório no ensino de Artes, a música, as artes plásticas e as artes cênicas.
domingo, 20 de julho de 2014
Rocinha: urbanização, PACs e teleférico - o que dizem os moradores
![]() |
| Centro hospitalar projetado para Rocinha, mas não construído |
Esse projeto de urbanização foi muito discutido com os moradores e incorporou varias demandas dos mesmos, como a construção de um hospital e uma creche. Entre as poucas propostas efetivamente executadas estão a passarela projetada por Niemeyer e o Centro Esportivo. No entanto, muitas outras não foram realizadas. A creche só recentemente foi concluída, mas permanece fechada. No caso do hospital, o governo acabou fazendo apenas uma UPA.
Os moradores queriam também um centro cultural, o saneamento do bairro e a construção de planos inclinados. A questão dos planos inclinados se transformou numa enorme queda de braço entre os moradores e suas lideranças de um lado e o governo estadual do outro. O projeto de urbanização previu a construção de cinco desses equipamentos. Entre as vantagens apontadas pelos moradores e o arquiteto responsável estão as paradas mais próximas entre si, a possibilidade de levar bagagens e materiais de construção e também servir para a retirada do lixo da comunidade.
Em 2013 a Rocinha foi incluída no PAC2 e o escritório vencedor da licitação para esta segunda fase foi o Arquitraço, igualmente conceituado. No entanto, aparentemente houve pouca discussão sobre como seriam aplicados os recursos da ordem de 1 bilhão e 600 milhões de reais. O governo do estado (Emop) incluiu o teleférico no projeto e vem insistindo em sua instalação em detrimento dos planos inclinados anteriormente propostos. O teleférico teria um custo da ordem de R$ 700 milhões.
O teleférico é um equipamento caro, com paradas distantes entre si, e com uma manutenção igualmente cara, dependente de peças importadas. Já os planos inclinados trabalham com uma tecnologia bastante conhecida e experimentada em diversos locais do Rio de Janeiro. Outras desvantagens do teleférico são a sua incapacidade de funcionamento em momentos de ventos fortes e tempestades, e a incapacidade de servirem a cadeirantes ou a pessoas com problemas de mobilidade, já que trabalham em movimento contínuo. Além disso, a Rocinha é uma área fortemente sujeita à ação da maresia, o que certamente apressaria sua deterioração.
Mas há ainda um aspecto pouco percebido que se refere à necessidade de remoções de moradias para a construção desse equipamento. Seriam removidas casas para dar lugar às estações e também para permitir a acessibilidade de caminhões à base dos postes que sustentam o teleférico.
As lideranças dos moradores consideram que a opção pela execução dos planos inclinados anteriormente previstos, por serem mais baratos, liberaria recursos para o saneamento da comunidade, uma demanda urgente e muito justa.
A defesa do teleférico por parte da Emop é que ele permitiria a integração da comunidade com o metrô da Linha 4. No entanto a estação do teleférico mais próxima do metrô seria exatamente onde haveria um dos planos inclinados previstos. Depreende-se que a forte visibilidade do projeto teleférico e o fato de servir como atração turística leva o governo estadual a preferir essa opção.
Recentemente houve uma audiência pública sobre o projeto e o presidente da Emop foi muito contestado. Ele afirmou que iria fazer reuniões nos 32 sub-bairros da Rocinha para discutir o projeto.
Outra questão que move os moradores e os vizinhos de São Conrado é a questão do reassentamento de famílias moradoras de áreas de risco. O arquiteto Luiz Carlos Toledo havia projetado edifícios com apartamentos de até três quartos, mais adaptados ao tamanho de certas famílias da comunidade. No entanto, a Caixa Econômica só financiou prédios com apartamentos de até dois quartos. Alguns desses prédios foram construídos onde havia uma garagem de ônibus.
No momento, discute-se a construção de novos prédios que ocupariam uma área considerada como de preservação ambiental, o que vem mobilizando a vizinhança de São Conrado contra o projeto.
Os moradores continuam mobilizados e esperam que suas vozes sejam ouvidas e suas demandas sejam consideradas.
terça-feira, 20 de maio de 2014
Mobiliário urbano carioca, ainda uma carência
![]() |
| Abrigo de ônibus da era Chagas Freitas |
A oferta mais ampla de mobiliário urbano padronizado na Cidade do Rio de Janeiro é algo relativamente recente. No início do século XX, foram instalados em diversas praças os gloriosos bancos Paris, nunca igualados em qualidade. E também diversas linhas de postes em ferro fundido, ou arcos para sustentação de luminárias, que eram o símbolo do progresso que a iluminação pública trazia. Muito apreciado era o “colar de pérolas de Copacabana” formado pela linha de postes com iluminação a vapor de mercúrio, instalados em 1936, e que seguiam a curvatura da orla.
Depois, pareceu que a administração pública da cidade se esqueceu de como equipamentos assim eram importantes. A sua qualidade caiu muito, e foram feitas diversas improvisações. Exemplo disso, eram os pavorosos abrigos de ônibus instalados no período em que Chagas Freitas governou o Estado. Eles traziam inscritos no concreto o nome do governador. Abrigar o cidadão do sol e da chuva era uma benesse do mandatário! Somente alguns anos depois, no governo Brizola, surgiram os abrigos pré-fabricados em concreto, projetados por João Figueiras Lima, o Lelé, e produzidos pela antiga Fábrica de Escolas, projeto também daquele período. Alguns desses abrigos ainda resistem por aí, até mesmo com outros usos, como na Praça Ben Gurion, em Laranjeiras.
Como a querer recuperar o tempo perdido, o projeto Rio Cidade, concebido pelo então Secretário de Urbanismo, e depois prefeito, Luiz Paulo Conde, derramou uma profusão de modelos de postes, de abrigos de ônibus, de bancos, de lixeiras e de jardineiras na cidade. Cada eixo escolhido para receber uma intervenção passou a ter sua própria linha de mobiliário urbano. Postes tortos, fradinhos com bolas metálicas atarraxáveis nas pontas (que rapidamente foram furtadas), luminárias de luz indireta, bancos de concreto, havia de tudo.
No entanto, logo se percebeu que faltava uma economia de escala nessa fórmula. A cada abrigo ou poste necessitando de reposição, se fazia necessária a sua produção de forma quase artesanal. Por serem poucas unidades, produzi-los encarecia demais o processo. Assim, na gestão do próprio Conde como prefeito, foi realizada uma licitação para a implantação de um conjunto de itens de mobiliário urbano na cidade por empresas especializadas, que substituíram a maioria desse mobiliário anteriormente instalado. Para efeito dessa licitação, a cidade foi dividida em três grandes áreas e, desde então, passamos a conviver com abrigos de ônibus, painéis de publicidade e relógios digitais padronizados, frutos de design industrial.
Parte importante e integrante daquela licitação era a colocação de banheiros públicos em toda a cidade. Seriam banheiros dotados de tecnologia, com sistemas autolimpantes, que atenderiam uma secular queixa dos cariocas de todas as idades: a falta de banheiros públicos nas ruas. Porém, muito rapidamente, começaram os problemas e adiamentos. As empresas ganhadoras das licitações implantaram os abrigos de ônibus, dotados de espaços para a exploração de publicidade, assim como os relógios e, logicamente, os painéis publicitários. Mas os banheiros, ah os banheiros...
Logo surgiram notícias nos jornais de que havia problemas para sua instalação. Dizia-se, por exemplo, que era difícil conseguir que o órgão responsável fizesse as ligações de esgoto. Os poucos que foram implantados ficaram sem manutenção e passaram a apresentar problemas. Durante a pandemia acabaram lacrados e até hoje seguem inutilizados.
Mas, antes disso, o cartunista Ziraldo, grande na sua arte, mas talvez não tão bom designer, levou ao prefeito a proposta de um mictório público simplificado. Alguns protótipos foram instalados com o nome de Unidade Fornecedora de Alívio – UFA. Em seguida, o prefeito anunciou a instalação de 100 unidades de UFA na cidade. Usou-se, inclusive, os recursos para a instalação dos banheiros da licitação de mobiliário urbano padronizado.
O grande problema com esses mictórios é que eles eram instalados de forma improvisada, aproveitando bueiros de águas pluviais, sem ralos nos pisos que drenassem os excessos da falta de pontaria masculina. Os pisos onde esses mictórios foram instalados logo se transformaram em lugares com aquele odor característico, incomodando um bocado. Deve ser por isso que também sumiram da paisagem da cidade. Enquanto isso, as empresas vencedoras das licitações de mobiliário urbano, aparentemente, ficaram desobrigadas de instalar os banheiros com boa tecnologia que faltavam. Continuam a explorar somente o filé mignon da coisa, ou seja, os equipamentos portadores de publicidade. E a população carioca, como sempre, permanece sem banheiros públicos.
Mobiliário urbano é coisa séria, e dá a medida do conforto que a cidade oferece a seus usuários. E também precisam ser bem desenhados. Um visível retrocesso, por exemplo, são as torres de ventilação de câmaras subterrâneas de eletricidade. Antes feitas em ferro fundido decorado, agora são simples e feias chaminés em concreto. O Rio precisa de mais bancos de praça (que tal reproduzir os bancos Paris?), mais abrigos de ônibus, banheiros públicos, postes de iluminação decentes, quiosques, e coretos nas praças. Quando os teremos?
artigo publicado no Diário do rio em 26 de maio de 2022.
![]() |
| UFA no Largo do Machado |
sábado, 8 de março de 2014
a calçada, o papa e a cidade
![]() |
| Escultura Papa João Paulo II na calçada da Catedral Metropolitana do Rio |





























